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Brasileira ia a festas de Berlusconi como menor, diz Ministério Público

Fabio Botto
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A brasileira Iris Berardi, uma das jovens que participavam das noitadas promovidas por Silvio Berlusconi, frequentava a casa do ex-premiê da Itália quando era menor de idade, segundo a procuradora-adjunta de Milão, Tiziana Siciliano.

Em mais uma audiência de um dos processos contra Berlusconi por corrupção no sistema judiciário, Siciliano disse que sentiu uma “pena incrível” da brasileira.

https://www.provincia.biella.it/

“É um fato comprovado que Berardi frequentava a casa de Silvio Berlusconi como menor de idade. Era uma menina irreprimível, como só os jovens podem ser, comparável a Ruby”, acrescentou a procuradora, referindo se à modelo ítalo-marroquina Karima el Mahroug, mais conhecida como “Ruby”, pivô do escândalo sexual que abalou a imagem do ex-premiê.

De acordo com Siciliano, Berlusconi não confiava em Berardi nem em Ruby e adotou com elas a estratégia do “afastamento”. “E Berardi obedeceu”, declarou.

O ex-primeiro-ministro é réu no Tribunal de Milão em um processo por corrupção judiciária, acusado de subornar garotas de programa que participavam das noitadas em suas mansões – festas apelidadas de “bunga bunga” – para que elas mentissem à Justiça.

O processo é conhecido como “Ruby ter” e também conta com desmembramentos em outras províncias da Itália, como Roma, Turim, Pescara, Treviso, Monza e Siena – nesta última, o ex-premiê foi absolvido em primeira instância em outubro do ano passado.

“Escravas sexuais”

Em sua exposição, a procuradora-adjunta de Milão afirmou que o então premiê costumava “animar sistematicamente as noites em casa com grupos de odaliscas, escravas sexuais a pagamento”, como se fosse um “sultão”.

Segundo o Ministério Público, “a nossa época olha com desgosto para essa violência terrível perpetrada contra mulheres, contra pessoas com pouquíssimas possibilidades de se defender”.

https://www.provincia.biella.it/

“Consumava-se algo de medieval e moralmente discutível”, acrescentou Siciliano. Além disso, a procuradora destacou que o Ministério Público encontrou “provas evidentes de corrupção” de testemunhas por parte de Berlusconi, inclusive dados, fotos, capturas de tela e mensagens trocadas entre as garotas.

Em resposta, um dos advogados do ex-premiê, Federico Cecconi, disse que essa “atribuição de epítetos arrisca escorregar para o mau gosto”. “Não gosto dessa forma de polêmica que faz baixar o nível. Embora eu queira manter um nível mais nobre, não posso impedir que se use esses termos, mas não os compartilho”, afirmou.

A defesa alega que Berlusconi fazia repasses às garotas apenas para ajudá-las, e não para manipulá-las. “Quando chegar nossa vez, evidenciaremos que cada doação de dinheiro teve uma causa lícita”, acrescentou Cecconi.

A própria Iris Berardi foi flagrada em um grampo dizendo que sentia falta da mesada do “papai”. No entanto, em julho de 2016, com votação secreta, o Senado da Itália proibiu o Ministério Público de usar a interceptação como prova no “Ruby ter”.

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TAGGED:Brasileira ia a festas de Berlusconi como menordiz MP
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