O verão de 2026 já é um dos mais quentes da história recente da Itália, disputando o recorde absoluto com o verão de 2003. Segundo a Confagricoltura, o calor extremo já custou 1,5 bilhão de euros à agricultura italiana nesta temporada, somando perdas de produção, custos mais altos e redução das horas de trabalho possíveis no campo.
O impacto atinge praticamente toda a cadeia agroalimentar do país. No setor vitivinícola, o calor antecipou a colheita (vindima) de norte a sul da Itália. Com isso, a nova safra chega com estoques acumulados equivalentes a toda a produção do ano anterior, pressionando ainda mais a rentabilidade de um setor que já enfrenta alta nos custos de produção.
Para compensar as mudanças climáticas, produtores investem em tecnologia, o que encarece ainda mais os custos.
O leite também sente o efeito direto das temperaturas. O calor prolongado reduz a produção em mais de 10%, mas a menor oferta tem sustentado os preços, compensando parcialmente a queda no rendimento. Ainda assim, produtores do setor cobram medidas que vão além de intervenções emergenciais.
O cenário mais crítico, porém, é o do arroz, cultura símbolo do agroalimentar italiano. Se não chover até o feriado de Ferragosto, em 15 de agosto, um quarto de toda a produção nacional de arroz estará comprometida, segundo produtores do setor.
A avaliação reflete o realismo de uma estação que testa os limites de uma das produções mais tradicionais do país.
A crise reacende o debate sobre a gestão hídrica do país. Associações do setor cobram uma estratégia nacional da água, alertando que, sem investimentos concretos, a agricultura italiana corre o risco de acumular prejuízos ano após ano, perdendo espaço no mercado e colocando em xeque a própria soberania alimentar do país.




