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Notícias

Câmara dos Deputados da Itália aprova emenda dos opositores sobre acordo com a Líbia

Fabio Botto
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O governo italiano enfrentou o seu primeiro teste no Parlamento, após o ex-aliado do premier Silvio Berlusconi e presidente da Câmara dos Deputados, Gianfranco Fini, exigir no domingo passado a renúncia do primeiro-ministro.

Nesta última terça-feira, a Câmara dos Deputados aprovou, com 274 votos a favor e 261 contra, uma medida relacionada ao repúdio aos imigrantes ilegais, disposto no âmbito do Tratado de Amizade, Associação e Cooperação entre Itália e Líbia, firmado há dois anos e que permite o envio de ilegais a esse país em troca de ajudas italianas.

O texto pede a Roma que "solicite com força às autoridades de Trípoli que ratifiquem a convenção das Nações Unidas sobre os refugiados e reabram o escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) em Trípoli, como premissa necessária para a continuidade de políticas de repatriação de imigrantes à Líbia".

Além do parecer dos três partidos de oposição — Partido Democrata (PD), Itália dos Valores (IDV) e União da Democracia Cristã e de Centro (UDC) –, dois ex-membros do governista Povo da Liberdade (PDL) — integrantes do recém-criado partido Futuro e Liberdade para a Itália (FLI) — votaram a favor da emenda.

Após a aprovação, os legisladores das duas bancadas governistas — do PDL e de sua aliada Liga Norte — dedicaram um irônico aplauso aos ex-aliados. A postura destes, por sua vez, é a continuidade de um novo capítulo aberto por Fini no caso dos atritos com Berlusconi.

No último domingo, o deputado propôs ao premier que deixasse o posto com o objetivo de recompor a maioria governista, redefinindo seu programa de governo. Na ocasião, ele advertiu que, se Berlusconi não aceitasse sua condição, seus partidários votariam no Parlamento "as moções que apoiam", independente de terem sido apresentadas por governistas ou opositores.

Para o líder da bancada do PDL na Câmara, Fabrizio Cicchitto, a decisão parlamentar desta terça-feira foi "irresponsável e poderia incentivar a imigração clandestina". Ainda segundo ele, a posição dos legisladores do FLI foi "determinante".

Também hoje foi anunciado um encontro entre o líder da Liga Norte, Umberto Bossi, e Fini. Na próxima quinta-feira, ambos discutirão a possibilidade de manter viva a maioria governista.

"Tenho o aval de Berlusconi para tratar com Fini, e o de Fini para falar com Berlusconi: o importante agora é que Fini não saia correndo", declarou Bossi à imprensa.

Co-fundador do PDL junto a Berlusconi, Gianfranco Fini foi retirado do partido em julho passado, depois de demonstrar em diversas ocasiões já não estar mais alinhado com as propostas do Executivo.

Ao sair da legenda, Fini levou consigo mais de 30 parlamentares, com os quais formou o então grupo FLI, agora transformado em partido, que podem modificar o cenário político, interferindo nas ações do governo.

Em setembro passado, Berlusconi chegou a submeter seu programa de governo à votação, sendo respaldado tanto na Câmara como no Senado.

Na época, ele apresentou os cinco pontos principais de sua administração, que deverão ser desenvolvidos até 2013, quando termina seu mandato. As reformas, contudo, podem não ocorrer, caso o FLI se pronuncie contra suas políticas.

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