
"De um supermercado a outro, transitamos pelas gôndolas só em busca de ofertas. Todos nós já conhecemos a cena: vamos ao supermercado acreditando saber o que compraremos mas, uma vez lá "dentro", a nossa capacidade de tomar decisões desaparece e então acontece que não resistimos à super oferta de nossa pasta de dente preferida, mesmo tendo vários tubos intactos em casa (que durarão meses, correndo o risco de ficarmos tão 'entediados' a ponto de querermos mudar de marca). Uma coisa é certa, gastamos mais do que o previsto porque essa compra era desnecessária, e acabamos levando para casa algo de que não precisávamos, inútil, que excede nossa capacidade de consumo".
"A psicologia do consumidor é bem estudada pelas empresas, explica o psiquiatra, e os centros comerciais se tornaram locais de encontro onde passar até o domingo inteiro". É tudo planejado por especialistas e o consumidor se vê 'enjaulado' em um trajeto pré-determinado, cheio de 'armadilhas', onde a sua liberdade de escolha certamente é influenciada pelo que lhe é oferecido.
"Muitas vezes os descontos servem para atrair o consumidor – explica Pellegrino – que acaba comprando o que não precisa ou quantidades acima de suas necessidades".
As pessoas mais propensas a caírem nesta espécie de compulsão são as mais frágeis e vulneráveis, acrescenta Pellegrino. "Para orientar as escolhas é preciso ter ideias claras e uma noção do que se pode gastar; na medida em que busco só o que preciso, serei uma 'presa' menos influenciável".
A sugestão do especialista é "não confiar cegamente nas ofertas, identificar os produtos de uso atual e só confiar se o desconto for real".




