Após a retirada do Brasil da lista de países autorizados a exportar carnes e produtos de origem animal para a União Europeia (UE), o eurodeputado italiano Gaetano Pedullà, do Movimento Cinco Estrelas (M5S), criticou duramente a atuação da Comissão Europeia e defendeu a suspensão do acordo com o Mercosul.
A declaração foi feita em Bruxelas. Segundo Pedullà, a recente suspensão das importações de carne, ovos e outros produtos brasileiros por razões sanitárias expôs contradições na política comercial do bloco.
“Parafraseando um filme famoso, poderíamos dizer: UE contra UE. Poucas semanas após a entrada em vigor do acordo comercial com o Mercosul, as importações de carne, ovos e outros produtos do Brasil foram suspensas devido a riscos à saúde dos cidadãos europeus”, afirmou o parlamentar.
Ele também acusou a Comissão Europeia de agir de forma “esquizofrênica” ao, segundo ele, autorizar e posteriormente restringir o mesmo fluxo comercial. “Qual o sentido de autorizar a importação de um produto e depois proibi-la?”, questionou.
Pedullà argumentou ainda que as restrições reforçam críticas históricas ao acordo com o Mercosul. Segundo ele, práticas agrícolas no Brasil, como o uso de antimicrobianos para estimular o crescimento do gado, seriam incompatíveis com regras europeias e configurariam concorrência desleal, além de uma ameaça à saúde humana.
“Por coerência, o acordo com o Mercosul deve ser suspenso imediatamente e renegociado. A Comissão Europeia deve parar de defender o indefensável e tomar a única medida sensata para defender nossa soberania e segurança alimentar”, concluiu.
Após 25 anos de negociações, o acordo começou a ser aplicado provisoriamente no dia 1º de maio e envolve cerca de 700 milhões de consumidores. Ele prevê a eliminação gradual das tarifas de importação sobre mais de 91% dos produtos europeus exportados ao Mercosul.



