
No caso do mestre renascentista, a escultura em baixo-relevo, uma obra do final de sua vida, contrasta com a perfeição das formas que ele buscou em sua juventude.
"Elas estarão lado a lado, uma como peça completa e outra que dá só alguns elementos para entender o quadro, as sensações", diz Zagnoli. "É como se depois daquela obra perfeita ele quisesse dar só um impulso."
Um compasso usado pelo artista para medir os traços da "Pietà" e projetar a cúpula da basílica de São Pedro e os afrescos de sua Capela Sistina também está na mostra.
Até mesmo o teto da construção modernista de Oscar Niemeyer no Ibirapuera terá projeções de afrescos de Michelangelo, uma experiência virtual de estar no Vaticano.
Pirotecnias à parte, peças menores, como dois anjos em madeira dourada do ateliê de Gian Lorenzo Bernini, um dos maiores nomes do barroco e artífice da modernização urbana de Roma, também integram a exposição.
Embora não haja grandes pinturas, quatro afrescos remanescentes da igreja de São Paulo, destruída num incêndio em 1823, e o rosto de Jesus Cristo pintado por Giovanni Francesco Barbieri, o Guercino, dão cara aos personagens do cristianismo.
Guercino, aliás, retratou o rosto de Jesus como ele teria aparecido no sudário usado para enxugar seu sangue e suas lágrimas na via crucis.
"Essa é uma maneira tradicional de retratar a figura de Cristo, com as gotas de sangue sobre o rosto e a coroa de espinhos", analisa Zagnoli. "Parece algo muito real, dá vontade de tocar."
Mas, na mostra, o público só vai poder mesmo tocar no molde da mão do papa João Paulo 2º, morto há sete anos.
ESPLENDORES DO VATICANO
QUANDO abre no dia 21/9; de seg. a dom., das 10h às 20h; até 23/12
ONDE Oca (pq. Ibirapuera, portão 3, tel. 011 4003-5588)
QUANTO R$ 44
CLASSIFICAÇÃO livre




