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Notícias

Fronteira entre Itália e Eslovênia inicia mandato como capital da cultura na União Europeia

Fabio Botto
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Uma região marcada por tensões e disputas territoriais no século 20 iniciou o mandato como capital europeia da cultura em 2025.

As cidades de Gorizia, na Itália, e Nova Gorica, na Eslovênia, dividem o título com Chemnitz, na Alemanha, para transmitir uma mensagem de união entre dois municípios separados apenas por uma imaginária linha de fronteira.

“Em um mundo caracterizado por crescentes tensões e conflitos, pelo abandono da cooperação internacional como elemento fundador da vida internacional, Eslovênia e Itália souberam demonstrar que é possível escolher o caminho da cooperação”, disse o presidente italiano, Sergio Mattarella, durante a cerimônia de inauguração da primeira capital europeia da cultura transfronteiriça.

Em seu discurso, o chefe de Estado ainda fez uma defesa do “valor histórico da União Europeia”, onde “diferenças e incompreensões deram lugar a fatores que nos unem” e os “valores da convivência e do acolhimento” se opõem ao “obscurantismo”.

“Ser capital europeia da cultura transfronteiriça significa ter a coragem de ser portadora de luz e confiança no futuro do mundo, onde se difundem sombras, incertezas e medo”, salientou.

Já a presidente da Eslovênia, Natasa Pirc Musar, disse que a união de Nova Gorica e Gorizia “simboliza paz, liberdade, ótimas relações, colaboração e respeito”.

O dia, no entanto, também foi marcado por um ato de vandalismo na “foiba” de Basovizza, local símbolo do “Massacre das Foibe”, um dos episódios mais trágicos relacionados ao pós-guerra na Itália.

Vândalos picharam frases em esloveno que diziam “Trieste é nossa” e “Trieste é um poço”, em referência à capital da região italiana de Friuli Veneza Giulia, também na fronteira com a Eslovênia. “Nada pode fazer voltar atrás a história que Eslovênia e Itália construíram e constroem juntas”, destacou Mattarella.

O “Massacre das Foibe” ocorreu após o fim da Segunda Guerra Mundial, quando milhares de pessoas que se opunham à anexação de parte de Veneza Giulia pela antiga Iugoslávia comunista foram assassinadas pelo Exército do marechal Josip Broz Tito.

As vítimas eram jogadas com ou sem vida em poços formados pela ação da água no solo, chamados na Itália de “foibe” – no singular, “foiba”. Estimativas apontam que de 5 mil a 17 mil italianos morreram na perseguição iugoslava, sendo que a maioria residia na cidade de Trieste e nas regiões croatas de Ístria e Dalmácia. A disputa fronteiriça se resolveu de forma definitiva apenas com um tratado assinado em 1975.

O massacre foi negado durante muito tempo por parte da esquerda italiana, e o Dia da Lembrança foi instituído apenas em 2004, sendo celebrado anualmente em 9 de fevereiro.

“A foiba de Basovizza é um lugar sacro, um monumento nacional a ser honrado com silêncio e oração. Ultrajar Basovizza, ainda mais com frases repugnantes que remetem a páginas dramáticas da nossa história, significa ultrajar toda uma nação”, disse a premiê italiana, Giorgia Meloni.

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