
As autoridades de Israel impediram o patriarca latino de Jerusalém e chefe da Igreja Católica na chamada Terra Santa, cardeal Pierbattista Pizzaballa, de entrar na Igreja do Santo Sepulcro, em Jerusalém, para a missa do Domingo de Ramos.
A celebração é uma das mais importantes do catolicismo e marca o início da Semana Santa. Pizzaballa estava acompanhado do custódio da Terra Santa e da Igreja do Santo Sepulcro, monsenhor Francesco Ielpo, também impedido de acessar um dos locais mais sagrados do cristianismo.
“Os dois foram parados ao longo do percurso, enquanto se dirigiam, de forma privada e sem qualquer conotação de procissão ou cerimonial, e foram obrigados a voltar atrás”, diz um comunicado do Patriarcado de Jerusalém.
“Este episódio constitui um grave precedente e uma falta de respeito à sensibilidade de bilhões de pessoas em todo mundo que, durante esta semana, olham para Jerusalém”, ressalta a nota, que ainda acusa Israel de adotar uma restrição “manifestamente desarrazoada e desproporcional”.
“Essa decisão apressada e fundamentalmente errada, viciada por considerações impróprias, representa uma extrema violação dos princípios fundamentais de liberdade de culto e respeito ao status quo”, conclui o comunicado.
Em seu Angelus dominical, o papa Leão XIV não mencionou o caso diretamente, mas expressou solidariedade aos cristãos do Oriente Médio, “que sofrem as consequências de um conflito atroz e, em muitos casos, não podem viver plenamente os ritos desses dias sagrados”.
Já o governo da Itália expressou solidariedade a Pizzaballa e Ielpo, que são italianos, e anunciou que convocará o embaixador de Israel em Roma nesta segunda-feira (30) para prestar esclarecimentos.
“O Santo Sepulcro, em Jerusalém, é um lugar sagrado do cristianismo e, como tal, deve ser preservado e protegido para a celebração de ritos sacros. Impedir a entrada do patriarca de Jerusalém e do custódio da Terra Santa, especialmente em uma solenidade central para a fé, como o Domingo de Ramos, constitui uma ofensa não só aos fiéis, mas a toda a comunidade que reconhece a liberdade religiosa”, disse a premiê Giorgia Meloni.
“É inaceitável ter impedido que eles entrassem na Igreja do Santo Sepulcro”, reforçou o vice-premiê e ministro das Relações Exteriores, Antonio Tajani. Já o também vice-premiê e ministro da Infraestrutura e dos Transportes, Matteo Salvini, chamou o episódio de “ofensivo”.
Desde o início da guerra no Irã, em 28 de fevereiro, as autoridades israelenses têm proibido grandes aglomerações em templos religiosos, limitando reuniões públicas a cerca de 50 pessoas. Nesse cenário, Pizzaballa já havia cancelado a tradicional procissão do Domingo de Ramos, que atrai milhares de cristãos todos os anos.



