O prolongamento da guerra no Irã pode empurrar a economia italiana para uma recessão em 2026, caso o conflito se estenda por até 10 meses, aponta projeções do Centro Studi Confindustria (CSC). O estudo, que trabalha com diferentes cenários de duração do conflito e seus efeitos sobre energia, inflação e comércio internacional, indica que o impacto seria progressivamente mais severo à medida que a crise se prolonga.
No cenário base, em que o conflito se encerra em poucas semanas, a economia italiana ainda conseguiria manter um crescimento modesto de cerca de 0,5% em 2026, com inflação próxima de 2,5%. Nesse quadro, o choque energético seria absorvido sem grandes efeitos estruturais, embora com volatilidade nos preços de petróleo e gás.
Já em um cenário intermediário, com a guerra se estendendo até o segundo trimestre do ano, o crescimento do PIB tenderia à estagnação. A inflação ganharia persistência e o impacto sobre exportações industriais começaria a se tornar mais visível, especialmente em setores intensivos em energia.
O quadro mais crítico, no entanto, é aquele em que o conflito se prolonga por cerca de 10 meses. Nesse caso, haveria uma contração do PIB italiano da ordem de 0,7%, caracterizando uma recessão técnica. A inflação poderia acelerar para cerca de 4,3%, pressionada principalmente pelos preços de energia. O custo do megawatt-hora, segundo o estudo, poderia saltar de aproximadamente €106 para €170, agravando a competitividade da indústria europeia.
Dependência da importação de gás e petróleo
O relatório destaca que o principal canal de transmissão da crise é o energético. A Europa, e em especial a Itália, permanece altamente dependente de importações de gás e petróleo, o que amplifica a vulnerabilidade a choques geopolíticos no Oriente Médio. Além disso, o aumento sustentado dos custos industriais tende a reduzir margens, desacelerar investimentos e enfraquecer a confiança de famílias e empresas.
A Confindustria também alerta para efeitos fiscais indiretos: com menor crescimento e maior inflação, aumenta a pressão sobre o déficit público e sobre medidas de compensação energética, o que pode limitar a margem de manobra do governo italiano.




