
Na realidade, se trata de um sistema antifurto que vai ser instalado gratuitamente nos veículos das mulheres e que elas vão poder acionar à distância, num raio de 150 metros do veículo.
O serviço irá funcionar 24h e alertar a patrulha mais próxima da área de onde partir o pedido de socorro.
A distribuição do aparelho tinha sido prevista inicialmente para dar maior segurança às mulheres que pudessem estar em dificuldades devido a um acidente rodoviário, por exemplo.
Mas, diante da atenção despertada por alguns casos de estupros, o aparelho ganha uma importância ainda maior e uma nova interpretação.
Monza tem cerca de 120 mil habitantes, 63% do sexo feminino. A seleção das candidatas para usar o equipamento segue a orientação do CADOM, o Centro de Ajuda de Mulheres Maltratadas, mas muitas preferem não revelar que foram vítimas de agressão.
"O maior problema é fazer com que o crime seja denunciado. Na maioria dos casos, a mulher tenta esquecer e até mesmo negar o estupro, a agressão física e psicológica", disse à BBC Brasil a secretária do Pares Oportunidades (órgão do governo destinado a fiscalizar a igualdade de oportunidades para ambos os sexos) de Monza, Martina Sassoli.
"Sabemos que a violência sexual acontece, principalmente dentro de casa, com maridos e companheiros de relações estáveis."
Tiveram preferência as mulheres que trabalham de noite ou durante a madrugada e vítimas que já denunciaram agressões ou viveram ou vivem situações de risco de abuso sexual, ameaças e perseguição por parte de ex-companheiros ou desconhecidos.
Outras grandes cidades italianas também pretendem adotar a medida.
A prefeitura de Milão anunciou a distribuição de mil aparelhos de GPS. Eles vão ser doados para moradoras de quarteirões com maiores índices de criminalidade e instalados de graça. As mulheres irão ficar com o aparelho durante três anos.
"A mesma experiência vai ser repetida em Roma. Nos já tínhamos pensado nesta utilização contra a agressão sexual", disse Matteo Avico, diretor de comunicação da fundação Ania (ONG que promove a segurança rodoviária), que apresentou o projeto em 2007.
A experiência dos aparelhos de GPS colocados à disposição das proprietárias de veículos pode minimizar o problema, mas as mulheres que não possuem carros ainda continuam sem opção de proteção.
"A minha grande preocupação também é com as mulheres que usam os transportes públicos, caminham a pé e que precisam de segurança. Estamos estudando uma parceria para dar a elas um instrumento de ajuda eficaz", disse Martina Sassoli.
Uma das hipóteses é o uso de uma sofisticada pulseira com um chip embutido. A emissão dos sinais começa quando a pessoa aciona um dispositivo que, por sua vez, acende o radiotransmissor preso ao corpo ou dentro da bolsa, ao alcance da mão. O S.O.S. chegaria diretamente à central de polícia.
Alguns casos recentes de estupros cometidos por imigrantes estrangeiros revoltaram a opinião pública e levaram o governo a lançar novas leis para coibir assédios sexuais.
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Embora a maior parte dos condenados ou denunciados por estupro sejam italianos, existe o temor de que os casos recentes aumentem a xenofobia no país.




