
Ao discursar na assembleia dos comerciantes (Confcommercio), Berlusconi disse que na Itália "a liberdade de expressão não está protegida" e que "todos somos vigiados", o que "já não se pode tolerar".
Palamara respondeu que os "dados sobre as escutas contradizem as afirmações de Berlusconi", pois "o número de pessoas interceptadas é sensivelmente inferior" ao indicado pelo premier.
Na prática, pontualizou Palamara, em 2009 a Justiça interceptou 119.553 telefones, o que atingiu 132.384 pessoas, a um custo de € 272.665,168 que o Estado recuperará dos interceptados condenados em juízo.
Na semana passada o Senado aprovou um projeto de lei do governo sobre as escutas que reduz consideravelmente a capacidade investigativa da Justiça contra o crime e a possibilidade informativa da imprensa, o que gerou protestos tanto dos juízes como da imprensa.
Na ocasião, o sindicato único dos jornalistas italianos (FNSI) convocou uma greve geral para o dia 9 de julho, data em que está prevista a votação definitiva do projeto de lei na Câmara dos Deputados. Se aprovado, caberá ao presidente da República, Giorgio Napolitano, assiná-lo ou devolve-lo às duas Câmaras para nova análise.
Cresce polêmica por lei italiana –
A Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) para a liberdade de imprensa, voltou a se referir à diretriz das escutas telefônicas e disse que é "normal e rotineiro" que essa organização europeia expresse seu parecer sobre projetos legislativos dos países-membros.
Ronald Bless, vice-chefe da OSCE, disse que é "normal e rotineiro" que o organismo manifeste sua opinião sobre os projetos de lei dos países-membros, após a avaliação negativa à norma sobre as escutas telefônicas judiciais, cuja discussão está em curso no Parlamento italiano.
"Naturalmente, o Parlamento italiano é soberano e independente", acrescentou Bless, em resposta à reação enérgica da chancelaria italiana às colocações da OSCE sobre o assunto polêmico.
O porta-voz da chancelaria, Maurizio Massari, disse que Roma comentou "com firmeza" que a apreciação da OSCE foi "inoportuna". (ANSA)




