
O sabor culinário que desembarcou no Brasil com imigrantes italianos e de outras origens, os quais continuaram a compartilhar receitas entre gerações por meio da oralidade, se materializou no livro “Cozinha Com Afeto: Sabores que Contam Histórias”.
A obra, recém-lançada em São Paulo pelo Convita, antigo Patronato Assistencial Imigrantes Italianos (PAII), em parceria com o Colégio Dante Alighieri, é resultado do projeto “La Cucina delle Nonne” (“A Cozinha das Avós”), que desde 2021 realiza, mensalmente, oficinas ministradas por idosas sobre especialidades gastronômicas de família.
A cozinha sempre foi uma forma de unir as pessoas, então decidimos lançar o projeto ainda na pandemia”, contou à agência Ansa Neide Oliveira, responsável de relações institucionais do Convita, sobre o início de “La Cucina delle Nonne”.
As páginas de “Cozinha com Afeto” apresentam receitas como a focaccia da imigrante Pasqualina Parente Tabano, 78 anos, que veio da Itália ao Brasil com os pais e os nove irmãos quando tinha quatro anos de idade. No livro, ela revela inclusive seu segredo para deixar o famoso pão do Belpaese “mais leve e digestivo”.
No caso de Leila Cairo, neta de italianos que desembarcaram em São Paulo no início da década de 1910, a receita da caponata de berinjelas, tradicional antepasto do sul do país, foi passada de sua avó materna, Angela Ciolli, para sua mãe, Wilma, nascida no Brasil, antes de chegar a ela.
“Com o tempo, fomos incrementando, abrasileirando, colocando as passas, por exemplo”, conta Leila no livro.
Um dos maiores símbolos da gastronomia italiana, as massas são a especialidade de Teresa Malorni Meale, de 84 anos, que vive no Brasil desde os 13. Para a obra, ela escolheu ensinar o passo a passo do talharim caseiro, sem esconder que também sabe fazer outros tipos de massa, como nhoque e fusilli, “como sua mãe, Angela Pietrantonio, a ensinou”. Ao se casar com Antonio Meale, também italiano, Teresa pôde “praticar bastante na cozinha” com sua cunhada.
“Cada receita neste livro é um pedaço da vida de quem a compartilhou: são lembranças de infância, festas de família, colheitas do quintal, conversas demoradas à beira do fogão”, diz a introdução do livro, reforçando tratar-se de “histórias que resistem ao tempo e que, agora, encontram novos caminhos para permanecer vivas”.
De forma a não perder esse saber culinário, que tem se afastado cada vez mais de jovens nascidos a partir do fim dos anos 1990, devido à maior interação com o mundo virtual, Oliveira destaca que as receitas também estão disponíveis em plataformas como Youtube e Instagram.
“É uma forma de fazer chegar este saber às novas gerações”, explicou.



