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Manifestantes invadem e depredam sede de jornal italiano “La Stampa”

Cerca de 100 manifestantes invadiram e depredaram a sede do jornal italiano La Stampa, em Turim, para protestar em prol da Palestina.

O episódio ocorreu quando a redação estava vazia devido a uma greve nacional de jornalistas da Itália para cobrar melhores salários e condições de trabalho.

Durante uma marcha na capital do Piemonte, cerca de 100 pessoas se separaram do grupo e invadiram a sede do Stampa, aos gritos de “Palestina livre” e acusando a imprensa de cumplicidade na prisão para fins de deportação de Mohamed Shahin, imã de uma mesquita de Turim que vive há duas décadas na Itália.

Shahin se tornou alvo das autoridades italianas após ter dito que os atentados terroristas do Hamas em 7 de outubro de 2023 foram um ato de “resistência” contra Israel e agora arrisca ser expulso para o Egito, apesar de ser um conhecido dissidente do regime autocrata de Abdel Fattah al-Sisi.

Os manifestantes fizeram pichações com spray na redação do Stampa (incluindo frases como “Palestina livre”, “Shahin livre” e “Jornais cúmplices de Israel”), atiraram esterco na entrada da sede e derrubaram pilhas de livros no chão.

Até o momento, a polícia italiana já identificou cerca de 30 pessoas que participaram do vandalismo, integrantes de coletivos universitários e de esquerda.

Em mensagem no X, a premiê Giorgia Meloni afirmou que a liberdade de imprensa “é um pilar da democracia e precisa ser defendida sempre, sem ambiguidade”. “A violência não se justifica nem se minimiza”, acrescentou.

Já o prefeito de Turim, Stefano Lo Russo, expressou solidariedade à redação do Stampa, principal jornal da cidade, e ressaltou que a invasão e depredação do diário são “inaceitáveis”.

“O ocorrido não tem nada a ver com o direito à livre expressão de ideias e é ainda mais grave por atingir um símbolo do direito à informação, que é um dos pilares da nossa democracia. Incidentes semelhantes em nossa cidade não podem ser tolerados”, acrescentou.

Shahin, que está detido em um centro de deportação, também se pronunciou e assegurou ser contra “qualquer violência”.

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