
O ministro da Defesa da Itália, Guido Crossetto, defendeu que o governo de Giorgia Meloni continue a financiar a Ucrânia contra a Rússia, às vésperas do quarto aniversário da guerra, em fevereiro.
“Apoiar Kiev não significa querer prolongar o conflito, mas sim impedir que o fim das hostilidades se transforme em uma paz aparente e frágil, construída sobre a injustiça e destinada a ruir novamente”, disse Crosetto na Câmara dos Deputados, em meio às críticas de parte da oposição e até da Liga, partido nacionalista liderado pelo ministro da Infraestrutura e vice-premiê Matteo Salvini, ao suporte militar de Roma a Kiev.
“Interromper o apoio e a ajuda à Ucrânia hoje seria desistir da paz antes mesmo de ela ser construída”, reforçou o ministro da Defesa, recebendo aplausos de parlamentares do Irmãos da Itália (FdI), partido de direita chefiado por Meloni, e do Força Itália (FI), de centro-direita.
Para Crosetto, Kiev “precisa de uma capacidade de defesa adequada não para atacar ou vencer a guerra, mas para proteger o próprio território e a população”.
“A retirada de apoio internacional não levaria à paz, pelo contrário: favoreceria uma escalada ainda maior da agressão” russa, continuou ele.
Em seu discurso aos parlamentares, Crosetto também destacou que a ajuda fornecida pela Itália à Ucrânia sempre teve como objetivo “impedir aqueles que querem destruir e subjugar a população ucraniana”.
“Alguns de vocês se envergonham disso [do apoio], mas eu me sinto orgulhoso”, frisou Crosetto, acrescentando que, “se pudesse dar mais armas a Kiev para sua defesa”, o faria.
Em apoio ao ministro da Defesa, o deputado Marco Padovani, do Irmãos da Itália, reforçou que “toda a ajuda italiana à Ucrânia até o momento foi destinada a ajudar civis inocentes”. Entretanto ele fez uma ressalva: “A Itália continuará com ajuda civil e militar, mas a civil será mais consistente” a partir de agora.
Entre os críticos do apoio italiano a Kiev está o partido de antissistema Movimento 5 Estrelas, que também fez um pronunciamento sobre o tema.
“Vocês apostaram na vitória militar da Ucrânia; apostaram o dinheiro dos italianos e vidas ucranianas. Meloni deveria renunciar por incompetência manifesta”, declarou o deputado do M5S Marco Pellegrini.
No próximo 24 de fevereiro, a guerra no leste europeu completará quatro anos, sem que haja avanços concretos em um acordo de paz.



