A atriz americana Susan Sarandon afirmou no Festival de Cinema de Veneza, que vem sendo boicotada em Hollywood por causa de suas posições críticas à política de Israel.
Segundo ela, muitos filmes deixam de ser oferecidos por interferência de agências.
“Foi uma revelação enorme para o nosso povo descobrir quanto dinheiro os Estados Unidos dão a Israel. Agora essas informações são conhecidas. E ainda assim há filmes que não me são propostos, com agências que dizem aos diretores para não me dar um papel”, declarou.
Sarandon está em Veneza para a apresentação de “The Echo Chamber”, de Andrea Pallaoro, filme italiano na disputa pelo Leão de Ouro e baseado no último roteiro deixado por Bernardo Bertolucci (1941-2018).
A atriz vencedora do Oscar disse que, por outro lado, tem encontrado acolhida em produções internacionais fora dos EUA. “Isso não é verdade só para mim. Acontece também com outros atores que foram recusados para determinados filmes”, salientou.
Sarandon também aproveitou a passagem por Veneza para defender o papel político dos festivais, que dão a oportunidade de “ver obras que normalmente não circulam”. “Nos Estados Unidos, é cada vez mais difícil assistir a produções que não sejam puramente americanas. As pequenas salas de cinema independente foram desaparecendo”, declarou.
Sobre a guerra na Faixa de Gaza, ela afirmou não acreditar “que o genocídio na Palestina vá cessar porque se fala dele em Veneza”, mas ressaltou que “todos os filmes têm uma função política, no sentido de que podem representar um desafio e colocar em dúvida o status quo”.
Por outro lado, Sarandon criticou a falta de espaço para obras palestinas no cinema. “Há muitos filmes feitos por diretores palestinos, ou sobre a questão palestina, que não veem a luz”, afirmou.




