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Com a saída do Reino Unido, é possível salvar a União Europeia? PDF Imprimir E-mail

Crise na União EuropeiaCom a saída do Reino Unido da União Europeia (UE), o chamado 'Brexit', muitas são as perguntas sobre o futuro do bloco econômico diante dos desafios da sociedade europeia.


Para o jornalista, analista de mercado e diretor do setor de Direção de Relações Externas e Relações Institucionais da Autoridade Antitruste da Itália, Roberto Sommella, existem formas de evitar que outras nações deixem a UE e se sintam menos insatisfeitas sobre os rumos do bloco.   

Há anos acompanhando as crises econômicas e sociais que o continente europeu enfrenta, Sommella lançou o livro "Euxit: Saída de Segurança para a Europa" (Rubbetino), em que aponta as causas e as soluções para resolver o problema. Confira a entrevista exclusiva que a ANSA fez com o especialista.   

- A saída da Grã-Bretanha é o início do fim da União Europeia? Qual foi o erro do bloco para que os britânicos quisessem deixar o grupo? Roberto Sommella: A escolha da Grã-Bretanha de sair da União Europeia pelo efeito do referendo popular que sancionou o 'Brexit', do ponto de vista financeiro, deve causar um efeito negativo para Londres e positivo para a UE. Isso por duas razões: a primeira, é que as regras comunitárias prevêem que as câmaras de compensação financeiras devem ter sedes no espaço comum europeu, o que significa que muitos bancos que têm sede hoje em Londres precisarão se mudar para Frankfurt, Milão ou Paris, com uma perda direta para a capital em termos de ocupação e de milhares de empregos.   

A segunda [razão] é especular sobre a primeira. A União Europeia tem tudo para ganhar se as suas bolsas adquirirem novos atores.   

Acredito que a UE concedeu até demais ao governo [David] Cameron durante as negociações para evitar o divórcio e depois o Executivo inglês explicou mal e tardiamente ao seus cidadãos os motivos reais para ficar na Europa.   

Depois, há a incerteza política, que será toda a desvantagem da União, porque o sucesso do referendo inglês e a grande participação no voto atingirá outros países que irão propor consultas do gênero (acredito em Finlândia e Holanda) e em cada eleição próxima, na França e na Alemanha, isso se tornará um referendo sobre a Europa. Em suma, o 'Brexit' é um divórcio entre dois cônjuges ricos que ficarão mais pobres após a separação.   

- Qual será o efeito do 'Brexit' nos outros países? É grande o risco de outros Estados-membros deixaram o projeto europeu no curto prazo? R.S.: Os partidos nacionalistas, por exemplo a Frente Nacional francesa ou a Alternativa para a Alemanha, ou ainda aqueles partidos xenófobos na Áustria, dirão: 'Vamos fazer também nós um referendo!'. Uma escolha democrática, porém com efeitos devastadores.   

O problema é que esses três países fazem parte também da zona do euro e as consequências em caso de separação seriam enormes, com a consequente dissolução da moeda única. Quanto ao tempo, é cedo dizer: em 2017, vota-se na França para as [eleições] presidenciais e na Alemanha para as legislativas. Em caso de sucesso das forças eurocéticas, um referendo no estilo do 'Brexit' não é um fato a ser excluído.   

- O nacionalismo está aumentando na Europa. Como você analisa essa situação? Há riscos? R.S.: Sim, há riscos. Na Europa, graças à União Europeia, de 70 anos para cá não há guerras. Aqueles que viram essa tragédia humana são cada vez menos e não podem contar o horror que aquilo foi para o continente. Muitas gerações estão crescendo com o mito do nacionalismo porque acreditam que sozinhos conseguem resolver os problemas do desemprego, os problemas sociais, da integração, do terrorismo. Mas, é exatamente o contrário.   

Nós, europeus, somos 7% da população mundial, produzimos 25% do PIB planetário e 50% dos encargos sociais globais. Isso significa que, no contexto da globalização, somos fortes e abastados - mas só se unidos. Culpar a Europa se não existe crescimento, se nosso filho ou neto está sem trabalho, se os nossos restaurantes e aeroportos estão na mira do terrorismo jihadista está profundamente errado.   

Busca-se um inimigo, fora das fronteiras, seja um muçulmano, um imigrante, um judeu ou um homossexual, não importa. O importante é que seja "diferente", "estrangeiro". O nosso inimigo, na verdade, é o egoísmo. A Europa tem muitos defeitos, mas buscou deixar todos iguais.   

- A crise econômica e a austeridade são responsáveis pela saída da Grã-Bretanha e/ou pela vontade de outros Estados-membros de deixar o bloco? R.S.: A Grã-Bretanha, assim como países do Leste Europeu, fazem parte da ampliação da União Europeia e tem há anos taxas de crescimento superiores daqueles países que adotam o euro. E isso causou o rigor absurdo imposto pela Alemanha e pela Comissão Europeia a todos os membros da zona do euro.   

Então, o problema não é econômico, é político. Os ingleses decidiram que podem estar melhor sozinhos porque, no fundo, nunca entraram de verdade na União Europeia.   

Além de pertencer à UE, a Grã-Bretanha está no Conselho de Segurança da ONU, faz parte da Otan, é a quarta potência militar do mundo e a quinta economia do planeta. Só em Londres, estão presentes 18% das finanças mundiais. São números importantes que fazem pensar gente como [Nigel] Farage e [Boris] Johnson: somos melhores sozinhos. Conversaremos sobre isso daqui a 10 anos.  

 

Com a saída do primeiro-ministro britânico David Cameron, seu homólogo italiano, Matteo Renzi, pode ser seu substituto? A Itália pode assumir um papel importante após esse processo? R.S.: Cameron é um conservador, Renzi é um progressista. Cameron será lembrado como aquele que convocou um referendo sobre a saída da União Europeia achando que ia ganhar e, ao invés disso, começou um cataclismo. Renzi e a Itália são europeístas convictos e pais fundadores da Europa.   

- O que a União Europeia pode fazer para evitar novos problemas desse tipo, como o 'Frexit' (a saída da França do bloco), o 'Nexit' (saída holandesa), etc? R.S.: Precisa tornar-se uma verdadeira federação de Estados e não ficar como uma Confederação. Dotar-se de uma política única, de um ministro de Finanças único e de um ministro do Interior único. Criar sua polícia federal (ao estilo do FBI), formar um Exército. Emitir instrumentos de débito europeu (os eurobonds).   

Se a Europa quer salvar-se deve ser a Europa. Aqui nasceu o Iluminismo, aqui ocorreram as primeiras revoluções, aqui foi redigida a declaração dos direitos do homem. É preciso coragem: precisamos pegar as nossas bandeiras nacionais e colocá-las em museus e deixar tremulando apenas a bandeira estrelada. Assim nasce a nação Europa, como nasceu os Estados Unidos.   

- No seu livro, você comenta que não há líderes visionários na Europa e que apenas o papa Francisco desempenha esse papel. Como Jorge Mario Bergoglio pode servir de exemplo para os líderes políticos? R.S.: Conto um fato exemplar. Há algumas semanas, o Papa Bergoglio foi para Lesbos [Grécia], uma das ilhas onde mais chegam refugiados pelo mar. O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, no mesmo momento, estava em uma reunião do Fundo Monetário Internacional: bastava mudar o destino de sua passagem aérea e enviá-lo para a Grécia. Bastava seguir os passos de um homem vindo da Argentina.   

- Ainda em seu livro, você pede a volta da "cultura do indivíduo". O que seria exatamente isso? R.S.: A cultura de sermos diferentes, mas ter as mesmas ambições; a cultura de desejar o melhor usando a solidariedade ao seu máximo nível; a cultura de unir os povos lembrando aquilo que a imigração destas terras representou para as economias externas além do oceano.   

A nova Europa, para reencontrar a si mesma após anos de crise, e em vista de turbulências ainda mais difíceis, deve ressuscitar aquele espírito iluminista e visionário que diferenciou a história do homem em todas as suas grandes manifestações. Um espírito feito de equilíbrio e harmonia; de totalidade e de distinção; de racionalidade e de moralidade. Precisamos voltar à razão, à consciência e à humanidade. (Ansa)

 

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