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União Europeia e Índia anunciam “mãe de todos os acordos” comerciais

A União Europeia e a Índia anunciaram a “mãe de todos os acordos comerciais”, com um tratado que criará um mercado de 2 bilhões de pessoas, quase o triplo da parceria entre UE e Mercosul, assinado em 17 de janeiro.

O pacto entre Bruxelas e Nova Délhi foi negociado por 20 anos e faz parte da estratégia europeia para diversificar suas exportações em um cenário de crescentes desafios impostos pelo protecionismo dos Estados Unidos e pela ascensão industrial da China.

“A Europa e a Índia estão escrevendo hoje uma página da história. Concluímos o acordo mais importante de todos, criando uma zona de livre comércio que envolve 2 bilhões de pessoas, com vantagens para ambas as partes. E isso é só o início”, disse a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, em uma cerimônia em Nova Délhi.

O acordo reduzirá ou eliminará tarifas alfandegárias sobre quase 97% das exportações europeias para a Índia, com uma economia anual de até 4 bilhões de euros (R$ 25 bilhões) em taxas. “As pessoas de todo o mundo estão falando disso como a ‘mãe de todos os acordos'”, declarou o premiê indiano, Narendra Modi, acrescentando que a parceria oferecerá “muitas oportunidades” e lembrando que ela congrega “25% do PIB e um terço do comércio global”.

“A cooperação entre a Índia e a União Europeia é uma parceria para o bem global. Há muita confusão no mundo, e nosso acordo fortalecerá a estabilidade”, salientou o primeiro-ministro.

O pacto abre o mercado do país mais populoso do planeta para as empresas de indústria e serviços da UE, enquanto Nova Délhi vê o bloco como uma fonte de tecnologia e investimentos para acelerar o desenvolvimento de sua economia e infraestrutura.

O acordo também inclui uma parceria de segurança no setor de defesa. “A prosperidade não pode existir sem segurança. Vamos reforçar a nossa cooperação para melhor proteger nossos cidadãos e interesses comuns, trabalhando em conjunto para combater toda a gama de ameaças que enfrentamos, no Indo-Pacífico, na Europa e em todo o mundo, alcançando um novo nível de confiança estratégica entre nós, um primeiro passo rumo a uma cooperação ainda mais ambiciosa no futuro”, afirmou o presidente do Conselho Europeu, António Costa, que também participou da cerimônia.

O comércio bilateral de bens atingiu 120 bilhões de euros (R$ 754 bilhões) em 2024, um crescimento de quase 90% em uma década, enquanto o de serviços totalizou 60 bilhões (R$ 377 bilhões), mas o comissário de Comércio da UE, Maros Sefcovic, estimou em entrevista à ANSA que essas cifras podem dobrar no arco de “cinco ou seis anos”.

Segundo ele, as tarifas sobre vinhos de alto valor cairão de 150% para 20%, sobre licores cervejas, de 110% para 40%, e sobre azeites de oliva, de 45% para 0%. Alimentos manufaturados, como massas e chocolates, também terão tarifa zero para entrar no mercado indiano, enquanto automóveis, que hoje pagam alíquota de até 110%, pagarão no máximo 10% após uma redução gradual ao longo de 10 anos, com uma cota anual de 250 mil veículos, sendo 90 mil elétricos.

“Muitos setores que estavam praticamente fechados agora se abrem à Europa”, sublinhou Sefcovic.

O acordo, por outro lado, não contempla produtos agropecuários “sensíveis”, como açúcar, etanol, arroz, carne bovina e de frango, banana e alho, entre outros, e também não inclui capítulos sobre licitações públicas, energia ou matérias-primas.

Os dois lados ainda discutem um pacto separado para a tutela de produtos com indicação geográfica protegida, um tema caro a nações como Itália e França para combater imitações de suas especialidades no exterior.

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