O ministro do Interior italiano, Matteo Piantedosi, formalizou junto ao homólogo alemão, Alexander Dobrindt, a recusa da Itália em receber de volta três migrantes que Berlim pretende devolver ao país. Dentre eles, uma jovem somali de 22 anos.
Após um telefonema entre os dois ministros, a posição italiana foi comunicada oficialmente com base em argumentos principais como:
A Itália sustenta que os três casos de expulsão são anteriores a 12 de junho de 2026, data de entrada em vigor do novo Pacto europeu sobre migração e asilo, enquadrando-se assim no acordo sobre os chamados “dublinati” firmado com a Alemanha em dezembro passado.
O governo italiano exige o reconhecimento de um princípio de compensação que leve em conta os migrantes resgatados e levados à Itália por embarcações de ONGs com bandeira alemã.
Caso zero
É o da cidadã somali que a Alemanha quer devolver à Itália na madrugada de 19 de agosto, tendo chegado ao estado alemão de Hessen em 31 de março. Para Roma, não há condições para essa expulsão.
O impasse também envolve divergência sobre datas: Berlim considera que pode devolver à Itália migrantes chegados após a assinatura do acordo em dezembro de 2025, enquanto Roma defende que a data correta é 12 de junho, quando o novo pacto entrou em vigor.
Berlim não recua
A Alemanha reiterou que as expulsões para a Itália com base nos acordos de Dublin “se farão como previsto”. O chanceler italiano Antonio Tajani minimizou a tensão, afirmando não acreditar que haja um problema com a Alemanha, mas voltou a levantar a questão das ONGs com bandeira alemã.
Contexto político
O impasse ocorre em meio a alerta elevado para uma possível nova onda migratória rumo a Ceuta e Melilla, com a Itália mantendo linha dura. Piantedosi confirmou perante a Comissão Schengen que a suspensão do acordo com a Espanha, motivada pela crise de Ceuta, segue valendo pelo menos até Ferragosto (15 de agosto), citando também risco de terrorismo.
Giorgia Meloni reforçou a linha do governo publicando vídeo de imigrantes irregulares embarcando em avião de repatriação, com a legenda “defesa das fronteiras, segurança, respeito às regras”.
O pano de fundo é delicado para Meloni: o governo se comprometeu com 16 mil expulsões, mas no ano passado realizou menos de 7 mil.




