A primeira-ministra Giorgia Meloni esteve nesta quinta-feira (1º) em Gênova para inaugurar a 66ª edição do Salão Náutico Internacional, que reúne mais de mil embarcações, 215 novidades e representantes de 45 países. Na abertura, Meloni destacou o peso da náutica para a indústria italiana e o impacto econômico de uma cadeia que vai muito além da construção de barcos.
“É uma excelência italiana e é um setor no qual era absolutamente necessário estar presente”, afirmou a primeira-ministra. Em seguida, chamou atenção para o chamado indotto, termo usado na Itália para definir a atividade econômica gerada ao redor de um setor principal. Na náutica, isso inclui fornecedores de equipamentos e materiais, serviços, manutenção, portos, marinas, turismo e outras empresas movimentadas pela atividade. “Estamos falando de 8 bilhões de indotto”, disse Meloni.
A primeira-ministra também ampliou a análise para a chamada economia do mar, que reúne atividades como construção naval e náutica, transporte, portos, turismo e serviços ligados ao ambiente marítimo. Segundo Meloni, considerando os efeitos indiretos e o efeito multiplicador dessa economia, chega-se a uma dimensão de aproximadamente € 220 bilhões, com um multiplicador de 1,8. Ela também mencionou um crescimento de 50% relacionado ao efeito econômico da cadeia.
Esse valor de € 220 bilhões não corresponde ao faturamento da indústria náutica nem à contribuição direta do setor para o PIB. Trata-se de uma estimativa mais ampla associada aos efeitos multiplicadores da economia do mar.
Os números da indústria ajudam a dimensionar sua importância. Em 2025, o faturamento da indústria italiana de náutica de recreio – que inclui embarcações, acessórios e motores – atingiu o recorde de € 8,72 bilhões, alta de 1,4% sobre 2024. A contribuição direta da náutica para o PIB italiano foi de € 7,51 bilhões, equivalente a 3,32 por mil do PIB nacional.
Potência exportadora
A força internacional do setor aparece sobretudo nas exportações. Em 2025, as vendas externas da construção naval italiana chegaram a € 4,4 bilhões, recorde histórico, com cerca de 90% da produção destinada ao exterior. No segmento de superiates, os estaleiros italianos tinham 568 unidades em construção, correspondentes a 52% dos pedidos mundiais.
O setor emprega diretamente 32.420 pessoas. Considerando toda a cadeia náutica, o número chega a cerca de 170 mil trabalhadores. A dimensão da cadeia ajuda a entender por que o termo indotto é central no discurso de Meloni: o impacto econômico não se limita aos estaleiros, mas se espalha por uma extensa rede de empresas e serviços.
“Estamos fazendo tudo o que podemos para defender também esta excelência italiana”, afirmou a primeira-ministra, ao falar das medidas do governo para apoiar a economia do mar.
A cerimônia reuniu representantes do governo e do empresariado, entre eles o ministro das Empresas e do Made in Italy, Adolfo Urso; o vice-ministro das Infraestruturas e Transportes, Edoardo Rixi; o presidente da Confindustria, Emanuele Orsini; e o presidente da Confindustria Nautica, Piero Formenti.
O Salão Náutico de Gênova permanece aberto até 6 de outubro. A edição deste ano ampliou em 4% a área expositiva na água e registra crescimento de 28% no número de multicascos em exposição.




