
A obra – que começa insultando políticos italianos, como o prefeito de Verona, Flavio Tosi e a deputada Alessandra Mussolini, com frases fortes: "prefeito de Verona de merda" e "Mussolini é uma puta que quer matar todos os romenos" – agradou aos jornalistas que compareceram à exibição.
A produção narra o sonho de uma professora de 30 anos de Bucareste, que deseja abrir na Itália uma escola infantil para os filhos dos imigrantes, com o objetivo de "transformar a percepção" que os italianos têm dos romenos.
O longa destaca temas contemporâneos, como os estereótipos, que muitas vezes condicionam as relações entre italianos e estrangeiros.
Os cidadãos da Itália são ainda definidos como "macarrônicos" e, se há algum tempo eles iam para a Europa do leste com o objetivo de se relacionar com mulheres locais, agora esperam que estas cheguem ao país. Segundo um dos atores do filme, este é o motivo "pelo qual nos permitiram entrar na União Europeia".
Ainda de acordo com um dos participantes do elenco, há na Itália a compreensão de que os romenos são todos "ladrões, ciganos, estupradores, principalmente depois daquele fato horrível de Roma".
Em 2007, a italiana Giovanna Reggiani foi estuprada e assassinada no bairro Tor di Quinto, periferia da cidade de Roma. O violador, o romeno Romulus Nicolae Mailat, foi condenado à prisão perpétua.
Já os romenos, na obra, veem os italianos como pessoas "perigosas, que retiram órgãos, que usam os romenos como escravos e os prendem pelo simples fato de serem romenos".
Em "Francesca" ninguém se salva, nem os italianos e nem os romenos envolvidos com exploração, prostituição e imigração ilegal, e assim o sonho da protagonista, interpretada por Monica Birladeanu, está fadado a um fim trágico.
Este é o único filme romeno do Festival de Cinema de Veneza deste ano. O evento vai até a próxima semana.




