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França desiste de pedir demissão de italiana relatora na ONU

A França voltou atrás em seu pedido de demissão da italiana Francesca Albanese do cargo de relatora especial das Nações Unidas sobre a situação dos direitos humanos nos territórios palestinos ocupados.

Em vez disso, Paris optou por uma simples advertência, segundo o Politico.

Albanese “deveria ter a dignidade de se demitir”, afirmou Pascal Confavreux, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores francês, à pergunta do Politico sobre a omissão de Paris em solicitar a renúncia da advogada durante a reunião do Conselho de Direitos Humanos da ONU em Genebra.

Dias atrás, o chanceler da França, Jean-Noel Barrot, condenou “sem reservas as palavras ultrajantes e irresponsáveis da senhora Albanese, que miram não o governo israelense, cuja política pode ser criticada, mas Israel enquanto povo e enquanto nação”, informando que Paris pediria a demissão da italiana no próximo encontro do Conselho, o que não ocorreu.

Confavreux acredita que Barrot ainda considera que as “repetidas provocações” de Albanese deveriam levá-la a renunciar ao seu cargo.

Ontem, a representante permanente da França junto à ONU em Genebra, Céline Jurgensen, deixou de pedir explicitamente a renúncia da jurista italiana, limitando-se a denunciar as “repetidas e extremamente problemáticas declarações” de Albanese contra Israel.

Jurgensen instou todos os relatores especiais da ONU a demonstrarem “sobriedade, moderação e discrição exigidas em seus mandatos”.

Institucionalmente, a margem de manobra da França permanece limitada. Os Estados-membros da ONU não possuem mecanismos para forçar um relator especial a renunciar antes do término de seu mandato, que no caso de Albanese, expira em 2028, a menos que uma resolução específica seja adotada pelo Conselho de Direitos Humanos, o que é improvável.

Por sua vez, a relatora já deixou claro que não tem intenção de deixar o cargo, como solicitado pela França e pela Alemanha em 12 de fevereiro.

Albanese se tornou alvo de críticas após participar de um evento organizado pela emissora árabe Al Jazeera, no início do mês, por supostamente ter insinuado que a humanidade teria Israel como um “inimigo em comum”. 

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