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Juiz decidirá em maio se Salvini vira réu por sequestro

A decisão definitiva sobre a abertura de um processo contra o senador e ex-ministro do Interior da Itália Matteo Salvini por sequestro será divulgada no próximo dia 14 de maio.

A data foi anunciada pelo juiz preliminar de Catânia, Nunzio Sarpietro, a quem cabe decidir se o líder de extrema direita deve se sentar ou não no banco dos réus.

A penúltima audiência preliminar foi realizada com o testemunho do embaixador Maurizio Massari, representante permanente da Itália na União Europeia e que foi interrogado sobre os acordos de redistribuição de migrantes e refugiados no bloco.

O caso diz respeito a uma ordem de Salvini, então ministro do Interior, para impedir o desembarque de 131 deslocados internacionais que haviam sido salvos pelo navio Gregoretti, da Guarda Costeira italiana, em julho de 2019.

A maior parte dos migrantes (116) ficou presa na embarcação durante cinco dias, até que Roma fechasse um acordo de acolhimento com outros países da União Europeia. A abertura do processo contra Salvini já foi autorizada pelo Senado, mas a decisão final cabe a Sarpietro.

O argumento do líder de extrema direita é que a decisão de impedir o desembarque dos migrantes até que houvesse um acordo na UE foi tomada por todo o governo, e não apenas por ele, que era o responsável pelas políticas migratórias da Itália na ocasião.

Sarpietro já tomou os depoimentos do ex-premiê Giuseppe Conte e dos ministros do Interior, Luciana Lamorgese, e das Relações Exteriores, Luigi Di Maio, que na época dos fatos dividia o cargo de vice-primeiro ministro com Salvini.

Também já foram interrogados os ex-ministros Elisabetta Trenta (Defesa) e Danilo Toninelli (Transportes). Antes da decisão final de Sarpietro, haverá mais uma audiência no dia 10 de abril.

“Não faço prognósticos, continuo acreditando que fiz meu dever e que salvei vidas. Não peço medalhas, mas respeito”, disse Salvini ao sair do tribunal.

Ministro do Interior entre junho de 2018 e setembro de 2019, o senador endureceu as políticas migratórias do país com a instituição de dois “Decretos de Imigração e Segurança”.

Os chamados “Decretos Salvini” restringiram a permissão de estadia por motivos humanitários, instituíram multas de até 1 milhão de euros para ONGs que navegassem em águas territoriais sem permissão e autorizaram a prisão em flagrante de comandantes que desafiassem as autoridades.

Essas medidas, no entanto, foram revogadas após a Liga, partido do ex-ministro, abandonar a coalizão que apoiava Giuseppe Conte.

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