O banco italiano Intesa Sanpaolo anunciou uma oferta de quase 31 bilhões de euros para adquirir o Monte dei Paschi di Siena (MPS), tido como o mais antigo do mundo, em uma operação que pode criar o segundo maior grupo bancário da zona do euro.
A oferta bilionária ocorre em meio à efervescência de fusões no setor financeiro italiano e agitou a Bolsa de Milão.
Pelos termos da proposta, o Intesa oferecerá 16 de suas ações para cada 10 ações do MPS, além de 1 euro em dinheiro por ação apresentada.
A oferta representa um prêmio de 12,5% sobre o preço de fechamento das ações do MPS na última sexta-feira. O desembolso total seria de 30,6 bilhões de euros.
Segundo o Intesa, o grupo resultante da fusão contará com cerca de 3 mil agências e valor de mercado estimado em 126 bilhões de euros, tornando-se o segundo maior banco da zona do euro, atrás apenas do Santander, da Espanha.
O anúncio ocorre em meio a uma intensa disputa por ativos bancários na Itália. Durante o fim de semana, o Banco BPM informou que pretende convidar o MPS para discutir uma possível “fusão entre iguais”.
O BPM também esteve recentemente no centro de uma tentativa de aquisição pelo UniCredit, segundo maior banco italiano, operação que acabou não avançando após controvérsias envolvendo o uso de mecanismos de intervenção do governo italiano.
Para reduzir eventuais obstáculos regulatórios, o Intesa revelou ter firmado um acordo com a seguradora Unipol, principal acionista de outro banco, o BPER Banca, para vender uma “entidade jurídica bancária que engloba a marca MPS” e cerca de 635 agências atualmente pertencentes ao banco toscano, a fim de evitar problemas com as autoridades antitrustes.
Além disso, o conselho de administração do Intesa aprovou a aquisição de uma participação de 3,01% na seguradora Generali, movimento considerado estratégico dentro da operação.
A relevância do MPS no setor financeiro italiano aumentou significativamente após a compra do banco de investimentos Mediobanca no ano passado.
A instituição, que passou por um processo de reprivatização entre 2023 e 2024 após receber um resgate estatal em 2017, tornou-se a maior acionista da Generali, embora o Tesouro italiano ainda mantenha uma participação próxima de 5% no banco.
O UniCredit também possui uma participação relevante na Generali, ampliando a disputa por influência sobre um dos principais grupos seguradores da Europa.




