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União Europeia critica guerra no Oriente Médio: “EUA ignoraram consequências”

O presidente do Conselho Europeu, António Costa criticou a ofensiva militar dos Estados Unidos contra o Irã por ter “ignorado a segurança” na Europa e por “não se preocupar” com os impactos na economia global.

“Não podemos descartar o fato de que, pela primeira vez na história, os EUA desencadearam uma guerra no Oriente Médio, em nossa vizinhança, sem fornecer qualquer informação prévia aos seus aliados europeus ou à Otan [Organização do Tratado do Atlântico Norte]”, disse Costa na sede da SciencesPo School of International Affairs, em Paris.

“E, na verdade, estão prosseguindo com essa ação independentemente das repercussões na economia global e europeia, bem como na nossa segurança [na União Europeia]”, acrescentou.

Apesar de reforçar que os EUA “são amigos, parceiros e aliados” da UE, Costa destacou que desde o governo de Barack Obama (2009-2017), Washington tem tido “novas prioridades”, as quais devem “ser respeitadas”, assim como se deve “preservar” as relações bilaterais com os americanos a fim de “evitar uma escalada das tensões”.

“Mas, ao mesmo tempo, não podemos ser ingênuos: devemos ler a estratégia de segurança nacional dos EUA e entender que não estamos mais falando de um discurso em Munique ou de um tweet do presidente Trump”, enfatizou Costa, segundo o qual, agora se tem “uma doutrina oficial dos EUA em sua estratégia de Segurança Nacional, que delineia uma visão muito clara para a Europa e a UE”.

“De acordo com isso, não podemos ignorar o fato de que Washington decidiu ameaçar a integridade territorial de um Estado-membro da UE”, falou Costa, referindo-se ao desejo de Trump de anexar a Groenlândia, ilha no Ártico pertencente à Dinamarca, aos EUA.

“Em qualquer caso, devemos manter a calma. Não devemos reagir ou tentar reagir a cada tweet [de Trump], para evitar contribuir para a escalada. Mas devemos entender o que está acontecendo e agir de acordo”, prosseguiu o líder do Conselho Europeu.

Em meio aos mais recentes abalos mundiais criados pelo atual governo americano, Costa frisou a necessidade de “construção de uma rede global”.

“Há muitas pessoas ao redor do mundo que querem se engajar com a Europa como aliados, como amigos, como parceiros”, mencionou, antes de concluir: “Devemos ter orgulho e inteligência em não lutar contra o que não queremos lutar, mas estar prontos para agir sozinhos. Porque talvez agir sozinho signifique atuar sem nosso aliado imprevisível”.
   

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