A União Europeia recomendou oficialmente que a Agência Executiva Europeia de Educação e Cultura (EACEA) suspenda uma contribuição de 2 milhões de euros destinada à Bienal de Veneza, após concluir uma avaliação sobre a condução do caso envolvendo o pavilhão da Rússia no evento cultural.
O anúncio foi feito pela vice-presidente da Comissão Europeia, Henna Virkkunen, por meio da rede social X.
De acordo com ela, a recomendação decorre de uma análise detalhada das respostas apresentadas pela Bienal para justificar a reabertura do pavilhão russo.
“A cultura na Europa, financiada pelo dinheiro dos contribuintes, deve promover e preservar os valores democráticos. Esses valores não são respeitados na Rússia de hoje”, afirmou Virkkunen.
A controvérsia teve início após a Fundação Bienal de Veneza manter a presença do pavilhão russo, apesar das críticas e dos alertas enviados pela Comissão Europeia e pela EACEA. Ao longo de maio e junho, a instituição recebeu diversas solicitações de esclarecimento e foi advertida de que a continuidade da iniciativa poderia comprometer o financiamento europeu.
Embora a Bienal tenha sustentado que o pavilhão não violava as sanções impostas pela União Europeia e que o espaço não chegou a ser oficialmente aberto ao público, a Comissão considerou insuficientes as justificativas apresentadas. A recomendação da Comissão à EACEA tem caráter técnico, mas a expectativa é de que seja formalizada pela agência.
Em resposta, a Bienal de Veneza informou que tomou conhecimento da decisão por meio de declarações públicas e de autoridades políticas, antes de receber qualquer comunicação oficial.
Em nota, a instituição afirmou que respondeu dentro dos prazos a todos os questionamentos feitos pela agência europeia e aguarda uma notificação técnica formal para avaliar os próximos passos e apresentar seus argumentos nas instâncias competentes.
A Fundação também ressaltou que os programas afetados pela medida continuam em andamento e que a contribuição europeia representa apenas uma parcela marginal do financiamento dessas iniciativas.
O caso ocorre em um contexto de endurecimento da posição da União Europeia em relação à participação da Rússia em eventos culturais e esportivos internacionais desde a invasão da Ucrânia. Nas conclusões do Conselho Europeu de junho, os líderes do bloco defenderam que não haja normalização da presença russa enquanto não houver uma paz considerada justa e duradoura.




