O Papa Leão XIV aceitou a renúncia de dom Antonio Santarsiero Rosa, bispo de Huacho, no Peru, afastado de suas funções desde abril passado, após o surgimento de acusações de abuso.
O religioso, de 75 anos, atingiu a idade prevista pelo direito canônico para a apresentação da renúncia ao cargo episcopal.
No entanto, seu afastamento ocorreu em abril passado, quando solicitou licença das funções com o objetivo de “esclarecer a verdade” diante das denúncias divulgadas pelo site espanhol InfoVaticana.
As acusações envolvem supostos abusos sexuais sistemáticos e maus-tratos psicológicos contra pessoas que estariam sob sua autoridade. A principal denúncia foi apresentada por um jovem leigo, identificado apenas como “D.” para preservar sua identidade.
Em seu depoimento, ele relata que os supostos abusos teriam começado quando ainda era menor de idade, pouco depois de ingressar no seminário menor da Diocese de Huacho, e se estendido por vários anos.
Segundo o dossiê publicado pelo InfoVaticana, os relatos incluem alegações de abraços forçados, toques de natureza sexual e suposta coerção vinculada à promessa de bolsas de estudo e oportunidades de trabalho em instituições ligadas à diocese.
Os advogados que representam as supostas vítimas afirmam que, caso as acusações sejam confirmadas, os fatos poderão configurar alguns dos crimes mais graves previstos pelo direito canônico em casos de abuso de menores praticados por membros do clero.
Ainda de acordo com a publicação, o processo foi encaminhado simultaneamente ao núncio apostólico no Peru, dom Paolo Rocco Gualtieri, e ao cardeal Víctor Manuel Fernández, prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé. Além disso, o portal destaca que parte das denúncias já teria sido comunicada às autoridades do Vaticano entre 2024 e 2025.
Quando anunciou o afastamento de Santarsiero Rosa, em abril, a Conferência Episcopal Peruana informou que estava realizando “todos os esforços necessários para esclarecer os fatos denunciados”. A entidade também reafirmou confiança no sistema penal canônico e lembrou que pessoas que se considerem vítimas podem recorrer aos canais oficiais de denúncia da Igreja.




