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Notícias

Conheça Maria Elena Boschi, a mulher mais poderosa da política italiana

Fabio Botto
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Maria Elena Boschi
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Maria Elena Boschi"Tigresa da esquerda", "Miss Parlamento", "namorada da Itália", o epíteto "bela" sempre acompanhando aquele de "ministra". Desde que despontou no cenário político, no início da década, Maria Elena Boschi teve de se habituar a elogios e críticas que destacassem antes seus atributos físicos que seus predicados profissionais. Mas enquanto prestavam atenção em seus cabelos loiros e olhos azuis, a ministra para as Reformas Constitucionais e Relações com o Parlamento pavimentou o caminho para se tornar a mulher mais poderosa da política italiana.

Não foi sem surpresa que um Congresso onde 69,2% dos membros são homens e mais de 75% têm idade superior a 40 anos recebeu em fevereiro de 2014 a nomeação de uma jovem de 33 e com pouca experiência para uma das pastas mais importantes do gabinete do primeiro-ministro Matteo Renzi.

Recém-empossado, ele escolheu a fedelissima Boschi para o duro trabalho de reescrever a Constituição e levar a cabo sua ambiciosa agenda reformista. "Mari", para os íntimos, nasceu em 24 de janeiro de 1981, em Montevarchi, mas cresceu em Laterina, cidade de 3,5 mil habitantes situada na província de Arezzo, na Toscana. Estudou em colégio tradicional católico, formou-se em direito na Universidade de Florença e conseguiu emprego em um renomado escritório de advocacia, o Tombari Corsi D'Angelo e Associati, especializado em direito societário. Lá descobriu a paixão pela política, levada pelo colega Francesco Bonifazi, membro ativo do centro-esquerdista Partido Democrático (PD), legenda liderada atualmente por Renzi. Na época, em 2009, o hoje primeiro-ministro ainda desafiava o establishment da sigla para se candidatar à Prefeitura de Florença. Boschi começou sua trajetória do lado da nomenklatura do PD, mas, quando Renzi tomou posse do Palazzo Vecchio, naquele mesmo ano, a convidou para o conselho de administração da Publiacqua, empresa de gestão hídrica de Florença. O prefeito tinha se impressionado com um trabalho de Boschi sobre os aspectos jurídicos da privatização da companhia de transportes públicos da capital toscana, e desde então a relação entre os dois só se estreitou.

Mais tarde, Renzi lhe confiou a organização da Leopolda, conferência anual para divulgar sua plataforma política. A participação de Boschi no congresso, vestindo jaqueta rosa e sapatos de salto alto com estampa de onça, lhe rendeu o apelido de "tigresa da esquerda" e lhe tirou do anonimato. Em 2013, foi eleita deputada pela Toscana, consolidando uma vertiginosa subida rumo ao topo da política italiana. Ascensão – Quando foi convocado para formar um novo governo, em 2014, Renzi delegou a Boschi a pasta de Reformas Constitucionais e Relações com o Parlamento. Sua missão? Reescrever a Carta Magna e enfrentar uma das legislaturas mais difíceis da história da Itália. As críticas à nomeação foram imediatas. Membros da oposição alegaram que a função exigia "monstros sagrados" da política.

Outros questionavam sua escassa experiência na vida pública.

Alguns apelavam para o machismo: após o juramento, circulou na web uma montagem de Boschi encurvada para assinar o termo de posse e uma calcinha fio-dental saindo da calça. "Nosso ambiente é muito machista e conservador, então naturalmente sofremos esse preconceito. Teve muito rejeição, mas ela sempre foi muito forte, vai lá e cumpre seu papel", afirma a deputada ítalo-brasileira Renata Bueno, que se diz amiga da ministra e é só um ano mais velha que ela. Ao longo do tempo, as críticas referentes a sua idade foram desaparecendo, mas o sexismo vez por outra volta à baila. Recentemente, o jornal "Il Mattinale", ligado ao partido de Silvio Berlusconi, publicou uma charge que mostra as pernas e os braços de Boschi nus e a pergunta "Quem quer fazer a união civil comigo?". O desenho faz referência ao projeto que autoriza as uniões civis entre homossexuais, que tem levado ao limite a capacidade de negociação da ministra. As revistas de fofoca italianas também não se furtam em estampar na capa fotos de Boschi de biquíni, dando-lhe o tratamento reservado a estrelas de TV. Além disso, se alguém digitar "Maria Elena Boschi" no YouTube, por exemplo, algumas das primeiras sugestões de complemento para a busca serão "gostosa", "coxas", "biquíni" ou "seio". Aos ataques sexistas, Boschi responde com um trocadilho: "Me julguem pelas reformas, não pelas formas".

No Parlamento, os ataques se concentram agora mais no conteúdo do que na embalagem. "Antes tinha muito mais preconceito. Hoje ainda tem, mas a respeitam porque ela se fez respeitar pelo seu trabalho", acrescenta Bueno. De perfil técnico e discreto, mas sempre determinado, a ministra já levou para casa vitórias importantes, como a aprovação do "Ato Trabalhista", da nova lei eleitoral, da reforma educacional e, a joia da coroa, da reforma constitucional. Apelidado de "Lei Boschi", o projeto acaba com o bicameralismo paritário, com uma drástica redução dos poderes do Senado, e é considerado a grande conquista de Boschi em seus dois anos em Roma. Contudo, nos últimos meses a ministra vem enfrentando uma crise que provocou os primeiros arranhões no seu capital político. Seu pai, Pierluigi, trabalhou em um banco salvo da falência pelo governo, o Etruria – a própria Boschi era acionista da instituição. Ela alega que não esteve em nenhuma das reuniões sobre o resgate e que seu pai até foi multado em 144 mil euros por ter violado normas de transparência. De qualquer maneira, essa é uma dificuldade que ela terá de superar se quiser um dia dar o salto final em sua carreira política: uma candidatura para se tornar a primeira mulher chefe de governo na história da Itália. A hipótese é cogitada no livro "Una tosta: Chi è, dove arriverà Maria Elena Boschi", de Alberto Ferrarese e Silvia Ognibene, porém com todas as ressalvas passíveis de serem feitas em um país historicamente instável e com um premier ainda no início de seu mandato.

Para Bueno, Boschi seria uma boa herdeira de Renzi, mas é prematuro falar em assumir o Palácio Chigi. "Como aqui não há limite, se prevê que Renzi fique por muito tempo", afirma a deputada. Como diz o poeta, o futuro só o tempo dirá, mas Boschi parece tê-lo em suas mãos. (Fonte: Ansa – Por Lucas Rizzi)

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