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POLÍTICA ITALIANA: Ex-premier Matteo Renzi volta às origens de seu partido para se “relançar”

Fabio Botto
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Buscando voltar às origens do centro-esquerdista Partido Democrático (PD), o ex-primeiro-ministro da Itália Matteo Renzi iniciou oficialmente sua campanha para recuperar a liderança da maior legenda do país.   

O comício ocorreu no centro de convenções Lingotto, uma antiga fábrica da Fiat que, 10 anos atrás, foi palco do nascimento do PD, criado para reunir no mesmo partido diversas forças da centro-esquerda italiana, desde comunistas e socialistas até sociais-democratas e egressos da antiga Democracia Cristã.   

https://www.provincia.biella.it/

Em um discurso para cerca de 2 mil pessoas, segundo os organizadores, Renzi defendeu o fim das divisões na legenda e afirmou que é preciso “relançar” seus ideais e dar “esperança” ao país.   

“Devemos recomeçar depois da brusca parada no referendo, mas também em relação ao pós-referendo. Temos a responsabilidade de não repetir os erros, retomar nossos ideais e restituir uma esperança ao país. Recomecemos dos lugares que marcaram nossa história e tradição”, afirmou o ex-primeiro-ministro.   

Renzi deixou o poder em dezembro passado, após sua derrota no referendo constitucional que pretendia reduzir a importância do Senado. Em fevereiro, pressionado por adversários internos, renunciou também à secretaria do PD, que fará primárias no dia 30 de abril para escolher seu próximo líder.   

“O futuro não está mais na moda, porém é nosso desafio. O medo é a arma eleitoral dos outros”, acrescentou o ex-premier, já mirando nos partidos populistas e ultranacionalistas que ganham força na Itália. “Queremos construir um horizonte concreto de esperança, senão o futuro ficará apenas com quem só fala ‘não’.   

Se nós não fizermos, os outros farão”, disse.   

Nas primárias do PD, Renzi desafiará o ministro da Justiça Andrea Orlando e o governador da Puglia, Michele Emiliano. O primeiro tem orientação social-democrata e foi levado ao governo pelo próprio ex-primeiro-ministro, mas passou a se opor à recondução do antigo aliado à liderança do partido.   

Já o segundo nunca foi próximo a Renzi e representa a ala mais descontente com o ex-premier dentro da legenda. “Esse é um povo que nunca fala mal dos outros, e a primeira mensagem é para Orlando e Emiliano. Desejo a eles um bom trabalho e a garantia de que, da nossa parte, não haverá polêmicas pessoais, como aquelas que sofremos por semanas”, afirmou Renzi.   

https://www.provincia.biella.it/

Contudo, apesar da declaração amistosa, o fato é que o PD é formado por pelo menos oito correntes internas, sem contar aqueles membros que se movimentam de forma independente dentro da sigla. “A política deve ser capaz de indicar uma direção, não de se dividir entre correntes. O desafio não é o nauseante ping pong cotidiano, que não faz sentido”, declarou o ex-premier.   

A escolha de Turim para receber o comício “renziano” também pode ir além do significado simbólico: a cidade é governada pela popular Chiara Appendino, do partido antissistema Movimento 5 Estrelas (M5S), a principal ameaça ao projeto do PD. “Soube que ele chegou com pompa e circunstância, mas não pude encontrá-lo.   

No caso, poderíamos dar uma volta pelas zonas difíceis da cidade”, ironizou a governante da capital do Piemonte.

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