A Procuradoria-Geral de Milão decidiu não interrogar a massagista que trabalhou durante duas décadas na mansão no Uruguai onde vive Nicole Minetti, ex-pupila de Silvio Berlusconi envolvida nos escândalos “bunga-bunga”.
Segundo fintes judiciais italianas, as investigações conduzidas pela Interpol não encontraram elementos que confirmassem as acusações feitas pela mulher, identificada como Graciela Mabel De Los Santos Torres, sobre supostas festas sexuais realizadas na propriedade localizada em Punta del Este.
Na última semana, a massagista revelou ter testemunhado festas com acompanhantes de várias nacionalidades, incluindo brasileira, consumo de drogas e exploração de mulheres na mansão da italiana.
Minetti, de 41 anos, a ex-dentista de Berlusconi e ex-deputada regional da Lombardia, foi condenada por aliciamento de prostitutas e desvio de verbas públicas. Ela cumpriu uma pena total de três anos e 11 meses, mas recebeu um indulto parcial concedido pelo presidente da Itália, Sergio Mattarella, em janeiro deste ano.
O perdão presidencial foi justificado pelo fato de Minetti ter mudado de vida e precisar cuidar de um menino uruguaio de nove anos, adotado por ela e pelo companheiro, o empresário Giuseppe Cipriani, herdeiro da tradicional família fundadora do Harry’s Bar.
As investigações ganharam novo fôlego após reportagens publicadas pelo jornal italiano “Il Fatto Quotidiano” levantarem suspeitas sobre possíveis irregularidades no processo de adoção da criança e sobre a realização de festas sexuais na mansão do casal no território uruguaio.
Diante das denúncias, Mattarella solicitou ao Ministério da Justiça que encaminhasse o caso ao Ministério Público para verificar as alegações.
Em comunicado divulgado hoje, a Procuradoria-Geral de Milão afirmou que, até o momento, não há necessidade de ouvir a massagista por meio de carta rogatória internacional.
Segundo o órgão, “as investigações da Interpol, ordenadas após dúvidas levantadas sobre a concessão do indulto, ainda não corroboraram o relato da mulher sobre supostas festas sexuais na residência de Punta del Este”.
A procuradora-geral Francesca Nanni e o procurador-adjunto Gaetano Brusa aguardam novos desdobramentos da investigação, mas ressaltaram que “a situação permanece inalterada”.
Nos últimos dias, a defesa de Minetti apresentou documentos à Justiça italiana para contestar as acusações divulgadas pelo Il Fatto Quotidiano.
Em nota, os advogados Antonella Calcaterra, Emanuele Fisicaro e Paolo Siniscalchi afirmaram que as declarações atribuídas à massagista são “objetivamente falsas” e incompatíveis com as provas reunidas pela defesa.
Os advogados também disseram que novas evidências serão entregues às autoridades judiciais para demonstrar que “declarações não verificadas e facilmente contestáveis foram apresentadas como verdadeiras”.




