A Polícia da Itália prendeu o empresário e jornalista Valter Lavitola, acusado de ser o mandante de um atentado contra seu colega Sigfrido Ranucci, âncora do programa de jornalismo investigativo “Report”, da emissora pública RAI.
Ranucci vive sob escolta desde 2014 devido a ameaças de morte recebidas por conta de seu trabalho, que já denunciou diversos escândalos de corrupção e atividades de grupos mafiosos.
Na noite de 16 de outubro de 2025, uma bomba foi detonada em frente à casa do jornalista, nos arredores de Roma, e destruiu os carros dele e de sua filha, que havia estacionado no local 20 minutos antes.
Ninguém ficou ferido, mas o ataque provocou uma onda de consternação na Itália, com manifestações de solidariedade de toda a classe política e protestos da sociedade civil.
A prisão de Lavitola foi determinada no âmbito do inquérito liderado pelo Ministério Público de Roma, que considera a hipótese de método mafioso no atentado. A Justiça também ordenou a detenção do cidadão camaronês Gomes Clesio Tavares, acusado de ter atuado como intermediário entre Lavitola e os quatro autores materiais da explosão, que estão presos desde o fim de junho. Tavares está foragido.
De acordo com o comunicado divulgado pela Arma dos Carabineiros, que executou a prisão de Lavitola, o suspeito “concebeu o projeto delituoso e deu mandato a Gomes para identificar os indivíduos capazes de realizar o atentado diante da casa” de Ranucci.
O próprio Lavitola e Tavares realizaram uma “visita exploratória” à residência do jornalista da RAI, em 15 de setembro de 2025.
Ranucci e Lavitola já trabalharam juntos, e o âncora do “Report” disse recentemente que não acreditava no envolvimento do colega na explosão. Ainda não está claro, no entanto, qual teria sido a motivação para o atentado.
Lavitola é um personagem controverso na Itália e se tornou conhecido a partir dos anos 1990, quando estabeleceu relações com o ex-premiê Silvio Berlusconi, de quem seria aliado por mais de uma década, no papel de editor da influente revista “L’Avanti!”.
Em março de 2013, no entanto, foi condenado a dois anos e oito meses de prisão por tentativa de extorsão contra Berlusconi, sob a acusação de pedir 5 milhões de euros para ficar em silêncio em um inquérito sobre prostituição ilegal envolvendo o ex-primeiro-ministro.
Já em julho de 2015, foi sentenciado ao lado de Berlusconi em um processo sobre compra e venda de votos no Senado para derrubar um governo de centro-esquerda, mas ambos se beneficiaram da prescrição das penas.




