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Papa Leão XIV celebrou missa que marca início de seu pontificado

Fabio Botto
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O Papa Leão XIV celebrou na Basílica de São Pedro, no Vaticano, os ritos da missa de inauguração de seu pontificado.

Robert Francis Prevost entrou na Praça São Pedro a bordo do papamóvel e saudou a multidão de fiéis presentes, incluindo dezenas de líderes mundiais, como o presidente da Itália, Sergio Mattarella, a premiê Giorgia Meloni, o vice-presidente do Brasil, Geraldo Alckmin, que o celebravam como o 267º pontífice da Igreja Católica.

https://www.provincia.biella.it/

Além dos representantes da delegação italiana, J.D.

Vance, vice-presidente dos Estados Unidos, país de origem de Prevost, e o líder da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, e a líder da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, também estiveram presentes.

Após fazer um giro, o religioso entrou na basílica, rezou diante do túmulo de São Pedro e seguiu em procissão até a praça, onde foi recebido pelos aplausos dos presentes e fez a primeira oração. Na sequência, aspergiu água benta para abençoar todos os fiéis.

Uma imagem da Nossa Senhora do Bom Conselho foi o ícone mariano escolhido para ser colocado no altar, enquanto que uma tapeçaria representando o episódio da pesca milagrosa do Evangelho, que simboliza o convite de Cristo a Pedro e aos outros apóstolos para se tornarem “pescadores de homens”, foi disponibilizada no portal da basílica.

Após a proclamação do Evangelho, o cardeal filipino Luis Antonio Tagle aproximou-se de Leão XIV para a imposição das insígnias episcopais “petrinas”: o pálio e Anel do Pescador.

Os dois símbolos foram levados em procissão até o altar na Praça São Pedro. Dentro do anel do pescador está a inscrição Leão XIV, enquanto que na parte externa pode ser vista a imagem de São Pedro com as chaves e a rede.

O pálio é feito de lã branca, símbolo do bispo como bom pastor e, ao mesmo tempo, “do Cordeiro crucificado pela salvação da humanidade”, como explica o escritório para celebrações litúrgicas.

https://www.provincia.biella.it/

A faixa repousa sobre os ombros, sobre a casula, a vestimenta litúrgica, e possui duas abas pretas penduradas na frente e atrás, é decorado com seis cruzes de seda preta e é guarnecido, na frente e atrás, com três alfinetes representando os três pregos da cruz de Cristo.

O rito concluiu-se com a oração ao Espírito Santo, para que enriqueça o novo Pontífice com a força e a mansidão, a fim de manter os discípulos de Cristo na unidade da comunhão.

Visivelmente emocionado, Prevost olhou para o anel várias vezes, piscando para conter as lágrimas e olhando para o céu.

O primeiro pontífice norte-americano foi eleito líder dos 1,4 bilhão de católicos do mundo no último dia 8 de maio, no segundo dia de um dos conclaves mais curtos da história recente da Igreja Católica, após a morte do papa Francisco, em 21 de abril.

Homilia 

Durante a homilia da missa, o papa Leão XIV pediu amor e unidade para a humanidade, além de condenar o sistema econômico que explora os recursos da terra e marginaliza os pobres.

Prevost também apelou por uma “Igreja Católica unida, sinal de unidade e comunhão, que se torne fermento para um mundo reconciliado”.

“Em nosso tempo, ainda vemos muita discórdia, muitas feridas causadas pelo ódio, pela violência, pelo preconceito, pelo medo do diferente, por um paradigma econômico que explora os recursos da Terra e marginaliza os mais pobres”, disse ele, enfatizando que quer “ser, dentro desta massa, um pequeno fermento de unidade, de comunhão, de fraternidade”.

Perante cerca de 150 mil fiéis presentes na Praça São Pedro, o primeiro pontífice norte-americano destacou que agora “é tempo do amor” e reforçou a necessidade da Igreja abrir os braços ao mundo.

“Com a luz e a força do Espírito Santo, construamos uma Igreja fundada no amor de Deus e sinal de unidade, uma Igreja missionária que abra os braços ao mundo, que anuncie a Palavra, que se deixe perturbar pela história e que se torne fermento de concórdia para a humanidade”, pediu.

Prevost ressaltou a importância de todos caminharem juntos, “como um só povo, como todos irmãos”, em direção a Deus e amarem “uns aos outros”.

Na homilia, Leão XIV explicou que não é um líder solitário ou chefe acima dos outros, lembrando que, “se a rocha é Cristo, Pedro deve pastorear o rebanho sem nunca ceder à tentação” e “fazendo-se mestre do povo a ele confiado”.

“Ele é convidado a servir a fé de seus irmãos, caminhando junto com eles: de fato, todos nós somos constituídos ‘pedras vivas’, chamados com o nosso Batismo a construir o edifício de Deus na comunhão fraterna, na harmonia do Espírito, na convivência das diversidades”, afirmou, garantindo que foi escolhido Papa “sem nenhum mérito e, com temor e tremor”, mas seguirá com todos no caminho do amor de Deus, que nos quer todos unidos em uma única família”.

Por fim, alertou que a autoridade da Igreja é a caridade de Jesus Cristo e, portanto, não se deve capturar fiéis por meio da opressão, mas sim do amor.

“A Pedro foi confiada a tarefa de ‘amar mais’ e dar a vida pelo rebanho. O ministério de Pedro é marcado precisamente por esse amor abnegado, porque a Igreja de Roma preside na caridade e sua verdadeira autoridade é a caridade de Cristo”, disse.

Segundo o Santo Padre, “nunca se trata de capturar os outros por meio da opressão, da propaganda religiosa ou de meios de poder, mas se trata sempre e somente de amar como Jesus amou”.

No início de sua mensagem, Leão XIV também lembrou do papa Francisco, cuja morte em 21 de abril levou “grande tristeza” a todos os fiéis.

“Nestes últimos dias, vivemos um momento particularmente intenso. A morte do papa Francisco encheu nossos corações de tristeza e, naquelas horas difíceis, nos sentimos como aquelas multidões das quais o Evangelho diz que eram ‘como ovelhas sem pastor'”, declarou ele, interrompido por uma longa salva de palmas.

Leão XIV explicou que “no dia de Páscoa, porém, recebemos a sua bênção final e, à luz da Ressurreição, e enfrentamos este momento na certeza de que o Senhor nunca abandona o seu povo, reúne-o quando está disperso e ‘o guarda como um pastor guarda o seu rebanho'”.

O Pontífice também recordou que, “neste espírito de fé, o Colégio Cardinalício se reuniu para o conclave” e que “vindos de histórias e caminhos diferentes, colocaram nas mãos de Deus o desejo de eleger o novo sucessor de Pedro, o Bispo de Roma, um pastor capaz de salvaguardar o rico patrimônio da fé cristã e, ao mesmo tempo, de olhar para o futuro, para enfrentar as questões, as preocupações e os desafios de hoje”.

“Acompanhados pelas suas orações, sentimos a obra do Espírito Santo, que soube afinar os diferentes instrumentos musicais, fazendo vibrar as cordas dos nossos corações numa única melodia”, concluiu Prevost.

Além de várias citações do Antigo Testamento (do livro de Jeremias), dos Evangelhos (de Mateus e João), dos Atos dos Apóstolos e da Primeira Carta de Pedro, o Papa Leão XIV também citou Santo Agostinho, de quem se declarou “filho” como membro da ordem agostiniana, e Leão XIII, o pontífice da ‘Rerum Novarum’, fundador da Doutrina Social da Igreja, de quem ele mesmo admite ter tomado o nome. 

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