O embaixador do Brasil na Itália, Renato Mosca de Souza, declarou que o acordo entre a União Europeia (UE) e o Mercosul apresenta desafios para empresas, mas também representa um cenário de oportunidades relevantes. Segundo o diplomata, o entendimento entre os blocos é “extremamente complexo e amplo, e existem muitos setores com oportunidades de acesso no Brasil, mas obviamente é preciso esforço”.
A declaração foi feita durante a apresentação do relatório “Itália e Brasil: Fortalecendo laços na era Mercosul”, promovido pela Deloitte na Embaixada do Brasil em Roma, que aborda as perspectivas de crescimento do país e as oportunidades para empresas italianas. O estudo aponta que o Brasil está se posicionando como um dos mercados mais importantes entre as economias emergentes, com destaque para áreas como máquinas e tecnologia de produção, agronegócio, energia e tecnologias ambientais. De acordo com a Deloitte, o relatório destaca setores “nos quais existe uma forte complementaridade entre a demanda local e a expertise industrial do nosso país”.
Entre esses setores estão o de máquinas e tecnologia de produção, onde as exportações italianas para o Brasil devem atingir US$ 2,1 bilhões em 2024; o agronegócio, impulsionado por mais de 150 milhões de hectares de terras aráveis e um foco crescente em produtividade e sustentabilidade; o setor de energia, caracterizado por necessidades de investimento estimadas em quase US$ 575 bilhões na próxima década e com mais de 88% da eletricidade já gerada a partir de fontes renováveis; e as tecnologias ambientais, particularmente a gestão de recursos e a eficiência de processos industriais. A análise também mostra que o acordo com o Mercosul, além de eliminar tarifas sobre uma parcela significativa de mercadorias, poderá gerar mais de US$ 89 bilhões em PIB adicional na UE até 2040. Entre os temas que emergiram durante o evento destacou-se a necessidade de fortalecer ainda mais a presença italiana no Brasil, tendo em vista a nova fase de implementação do acordo UE-Mercosul. O relatório mapeia as principais oportunidades para empresas italianas no Brasil, destacando como as relações econômicas com o continente europeu já estão consolidadas.
Em 2025, o comércio entre Itália e Brasil ultrapassou 11 bilhões de euros, enquanto mais de 1,1 mil empresas italianas operam permanentemente no país, com investimentos superiores a 13 bilhões de euros.
“Num momento em que o comércio global se fragmenta, o fortalecimento dos laços entre a Europa e a América do Sul representa uma visão estratégica”, afirmou Fabio Pompei, CEO da Deloitte Itália.
Para ele, “o Brasil já é um parceiro consolidado para a Itália, e o acordo UE-Mercosul proporciona uma estrutura ainda mais sólida para essa relação.” O acordo de livre comércio UE-Mercosul assume importância estratégica, contribuindo para a redução das barreiras comerciais, o fortalecimento da segurança regulatória e o fomento da integração das cadeias de valor.
Nesse contexto, o estudo destaca que o potencial de crescimento reside não apenas no aumento das exportações, mas também na capacidade de fortalecer a presença industrial e construir modelos de colaboração mais integrados.
Apesar disso, a Deloitte ressalta o cronograma para a implementação do acordo com o Mercosul. O atraso no processo de ratificação já gerou “custos econômicos significativos” para a União Europeia, com mais de 180 bilhões de euros em perdas de exportações entre 2021 e 2025, tornando a fase de aplicação provisória do acordo um “passo crucial”.
Segundo Andrea Poggi, chefe de Políticas Públicas e Relações com Partes Interessadas da Deloitte, “o acordo representa uma das oportunidades comerciais e industriais mais concretas para o sistema italiano nas últimas décadas, mas é necessária uma ação imediata.”




