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Câmara da Itália aprova lei que torna crime imigração ilegal

Fabio Botto
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Câmara da Itália aprova lei que torna crime imigração ilegal
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Câmara da Itália aprova lei que torna crime imigração ilegalA Câmara dos Deputados da Itália aprovou uma lei que torna crime a imigração ilegal e pune com uma multa de até dez mil euros (cerca de R$ 28 mil) quem entrar ou permanecer no país sem visto.

 

https://www.provincia.biella.it/

A lei – que ainda será submetida a outra votação na Câmara antes de seguir para o Senado -, também aumenta o tempo de permanência de irregulares em Centros de Identificação e Expulsão e autoriza a criação de grupos de patrulhamento formados por cidadãos para garantir a segurança pública.

 

Segundo o decreto, apresentado pelo primeiro-ministro Silvio Berlusconi logo após sua eleição, no ano passado, não haverá prisão de imigrantes ilegais, mas eles terão que pagar as multas que serão de, no mínimo, 5 mil euros (aproximadamente R$ 14 mil).

 

Além disso, as mulheres estrangeiras sem visto de permanência não poderão registrar os filhos que nascerem em território italiano.

 

https://www.provincia.biella.it/

Este item está gerando polêmica porque, segundo associações de defesa de imigrantes, no caso de a mãe ser expulsa do país, não poderia levar a criança com ela e perderia sua guarda.

 

 A legislação prevê também a detenção de até três anos para os proprietários de imóveis que alugarem casas ou quartos para imigrantes irregulares.

 

Uma das principais normas que o governo italiano quer aprovar é a extensão do tempo de permanência dos estrangeiros irregulares nos Centros de Identificação e Expulsão (CIE).

 

O tempo de permanência dos imigrantes ilegais nos centros temporários não será mais de dois meses, como previsto atualmente, mas de seis meses.

 

Neste período, as autoridades italianas devem identificar e mandar de volta a seus países de origem os cidadãos irregulares que estão sem documentação.

 

Segundo as autoridades italianas, esta operação tem sido dificultada pela legislação de alguns países, entre eles o Brasil.

 

O padre Sergio Durigon, responsável pela comunidade de brasileiros Nossa Senhora Aparecida, com sede em Roma, comparou a iniciativa do governo italiano com o nazismo.

 

"Penso nos princípios raciais de Hitler. É muito sério equiparar a falta de documentos com crime. Houve críticas da própria igreja italiana e das Nações Unidas e precisa tomar muito cuidado" disse o padre à BBC Brasil.

 

"Todos os dias recebemos brasileiros e brasileiras em busca de trabalho, de um futuro para a própria família, os próprios filhos. Eles ficam com muito medo e apreensão, e chegam a deixar os documentos em casa para evitar os controles, que são cada vez mais apertados."

 

De acordo com o líder do partido governista na Câmara, Fabrizio Cicchitto, a lei se baseia nas indicações da União Europeia e se inspira no acordo entre França e Espanha, que, segundo ele, são "duríssimos" na luta contra imigração clandestina.

 

"Se não reagirmos a Itália vai se tornar o 'ventre mole' da Europa, vendo chegar às suas fronteiras a massa de imigrantes clandestinos controlada cinicamente pelo crime organizado, que usa tudo, inclusive uma parte do direito de asilo político".

 

Segundo Cicchitto, os imigrantes clandestinos ameaçam a segurança dos estrangeiros que estão regularmente no país e dos italianos, principalmente das classes menos favorecidas.

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