A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, afirmou que seu governo apoia sanções europeias contra colonos israelenses considerados violentos na Cisjordânia e defendeu que as medidas também possam atingir o ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir.
Em discurso na Câmara dos Deputados antes de uma próxima cúpula da União Europeia, Meloni declarou que a Itália pretende apoiar ações contra indivíduos que “incitam ódio e extremismo”.
Ela citou especificamente colonos violentos e criticou o comportamento de Ben-Gvir contra ativistas, incluindo diversos cidadãos italianos, da Flotilha Global Sumud, que foram detidos no porto israelense de Ashdod Segundo a primeira-ministra, a conduta atribuída ao ministro israelense — incluindo a divulgação de vídeos em que ativistas pró-Gaza teriam sido humilhados — é “inaceitável” para a Itália e “indigna” para Israel.
O episódio está ligado a investigações abertas em Roma sobre possíveis abusos contra cidadãos italianos detidos durante a operação.
Meloni afirmou que o governo italiano considera necessário que o Conselho Europeu discuta a direção das relações entre a União Europeia e Israel, especialmente diante da situação em Gaza, na Cisjordânia e no Líbano.
Ela defendeu ainda uma abordagem estratégica, que vá além de disputas políticas internas e leve em conta a “importância do tema para a Itália e para a Europa”.
“Não só por causa do que está acontecendo no Líbano, mas também por causa da situação em Gaza e na Cisjordânia, é evidente que o Conselho Europeu terá que refletir sobre a direção das relações entre a União Europeia e Israel”, reiterou.
No mesmo pronunciamento, a premiê também abordou a política europeia em relação ao Irã, defendendo que o bloco esteja pronto para aumentar a pressão com novas sanções caso Teerã não retorne a compromissos internacionais, mas admitindo a possibilidade de alívio gradual caso haja avanços verificáveis.
“A Cúpula do G7 da próxima semana em Evian será uma importante oportunidade para discutir com nossos parceiros — começando, é claro, com o presidente dos EUA, Donald Trump — as perspectivas para esta crise, bem como para a crise na Ucrânia, e as iniciativas necessárias para consolidar qualquer possível progresso diplomático”, declarou.
Segundo a premiê italiana, a “Europa tem as ferramentas para fazer sua voz ser ouvida, começando pelo regime de sanções”.
“Se o Irã demonstrar com fatos que deseja retornar a um caminho sério, verificável e construtivo, a Europa deve estar preparada para acompanhar esse processo com um alívio gradual e reversível, mas também rápido, das sanções”, afirmou ela, enfatizando que, caso contrário, “se Teerã continuar no caminho errado — ameaçando a liberdade de navegação, lançando ataques, apoiando milícias, violando obrigações internacionais — então a União Europeia deve estar preparada para intensificar a pressão, inclusive por meio de novas medidas direcionadas”.
Por fim, Meloni destacou preocupações com a segurança marítima no Estreito de Ormuz, rejeitando qualquer tentativa unilateral de alteração das regras de navegação e defendendo uma resposta internacional coordenada para proteger rotas comerciais e forças militares na região.
Além disso, reiterou o apoio da Itália às forças de paz da ONU no Líbano, afirmando que ataques à missão são ataques à comunidade internacional. A declaração faz referência à Unifil, que atua na estabilização da fronteira entre o território libanês e Israel.




