A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, afirmou que seu governo pretende avançar com novas reduções de impostos para a classe média e descartou a criação de um imposto sobre grandes fortunas.
As declarações foram feitas durante a assembleia anual da Confcommercio, realizada em Roma, na qual a premiê defendeu que as regras do mercado devem ser respeitadas, porque “a Itália não é uma república das bananas”.
“Não pretendemos parar por aqui; queremos fazer mais para reduzir a carga tributária sobre a classe média”, declarou Meloni, cuja lei orçamentária de 2026 reduziu de 35% para 33% a alíquota da segunda faixa do Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas ( IRPEF) para rendimentos entre 28 mil e 50 mil euros.
Ao rejeitar propostas de taxação sobre patrimônio, a líder italiana afirmou que seu governo busca criar condições para que os cidadãos ampliem sua prosperidade. “Outros falam em taxar a riqueza, mas estamos trabalhando para garantir que os italianos possam aspirar à riqueza após décadas de sacrifício”, disse.
Durante o discurso, Meloni também ressaltou as medidas adotadas para combater os chamados negócios “Apri e Chiudi” (“abre e fecha”), empresas que encerram rapidamente suas atividades após emitir notas fiscais, muitas vezes relacionadas a operações inexistentes, para evitar controles fiscais.
“Isto não é uma república das bananas. As regras são respeitadas aqui”, afirmou. “Não existe mercado sem regras.” A premiê italiana relacionou ainda os desafios econômicos do país à queda da natalidade e ao envelhecimento da população.
Segundo ela, é necessário ampliar as oportunidades para os jovens e enfrentar a crise demográfica, considerada um dos principais problemas econômicos da Itália.
“Temos uma emergência chamada geração jovem, a capacidade de oferecer mais oportunidades às melhores energias que possuímos e, ao mesmo tempo, a necessidade de reverter a emergência demográfica”, afirmou.
Por fim, Meloni destacou a importância dos comerciantes para a economia e para a vida social das comunidades italianas. “Seus negócios são o tecido que mantém nossas regiões, nossas vilas, nossas cidades e povoados, mesmo os menores, vivos”, disse.
De acordo com a premiê italiana, o comércio físico continua desempenhando um papel insubstituível na segurança, convivência e vitalidade dos centros urbanos.
“Cada porta aberta é uma luz, um ponto de referência, uma certeza, mas também um sinal de energia, de conhecimento; é uma garantia de segurança, de sociabilidade, de comunidade — é algo que nenhuma plataforma online jamais poderá substituir”, concluiu.
Na mesma assembleia, o presidente da Confcommercio, Carlo Sangalli, reconheceu que a Itália enfrenta um cenário de incerteza, mas afirmou que existem condições para superar os desafios econômicos. Ele citou como preocupações a crise de confiança entre os jovens, a baixa participação feminina no mercado de trabalho e os altos custos de energia.
Sangalli também alertou para a transformação das cidades italianas, marcada tanto pelo fechamento de mais de 156 mil empresas nos últimos 13 anos quanto pela expansão dos aluguéis de curta duração, que, segundo ele, afetam o equilíbrio das comunidades locais e a competitividade do setor hoteleiro.
Em mensagem enviada ao evento, o presidente italiano, Sergio Mattarella, destacou a necessidade de cooperação entre instituições e sociedade diante de um cenário internacional cada vez mais complexo e defendeu o fortalecimento do diálogo social.
Além disso, afirmou que os parceiros sociais têm papel fundamental na promoção da coesão social e na proteção dos trabalhadores.




