A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, afirmou que a inteligência artificial representa uma ferramenta de “potencial extraordinário”, mas destacou a necessidade de estabelecer regras internacionais para evitar impactos negativos sobre o mercado de trabalho e as democracias.
Durante discurso na Assembleia da Confcommercio, em Roma, Meloni ressaltou que a rápida evolução da tecnologia torna difícil encontrar um equilíbrio entre inovação e regulamentação.
“Por um lado, temos uma ferramenta com potencial extraordinário, mas, por outro, ela é tão impactante que podemos descobrir todo o seu poder muito tarde. Por isso, não é fácil encontrar um equilíbrio entre aproveitar essa ferramenta e estabelecer regras”, declarou.
A líder italiana apontou o mercado de trabalho como uma das áreas mais vulneráveis aos avanços da inteligência artificial.
Segundo ela, existe o risco de uma crescente concentração de riqueza e da substituição de atividades humanas por sistemas automatizados.
“A tecnologia pode ter um impacto imprevisível no mercado de trabalho. Corremos o risco de um mundo em que cada vez mais pessoas se tornem desnecessárias, enquanto a riqueza estará cada vez mais concentrada e verticalizada”, afirmou.
Meloni observou ainda que, historicamente, a tecnologia substituiu principalmente o trabalho físico, mas que o atual avanço da inteligência artificial ameaça também ocupações intelectuais.
Para a premiê italiana, a regulamentação da inteligência artificial não pode ficar restrita aos governos nacionais e deve ser tratada em âmbito global. O tema estará entre os principais assuntos debatidos durante a próxima reunião do G7, da qual a Itália participará com protagonismo.
Por fim, Meloni agradeceu ao papa Leão XIV pelas reflexões sobre os desafios éticos relacionados à nova tecnologia. Para ela, além dos impactos econômicos e sociais, a inteligência artificial pode afetar diretamente o funcionamento das democracias.
“Estamos caminhando para um mundo em que está se tornando difícil distinguir o que é verdade do que não é. A capacidade dos cidadãos de discernir, escolher, decidir e votar quando não sabem o que é verdade e o que não é é algo que devemos enfrentar”, concluiu.




