A maestrina italiana Beatrice Venezi contestou formalmente a rescisão de seu contrato com o Teatro La Fenice, em Veneza, classificando a decisão como “discriminatória”.
Em comunicação à fundação que administra a casa de ópera, Venezi classificou a decisão como “nula, ilegítima, ineficaz e discriminatória” e afirmou que pretende continuar cumprindo suas obrigações profissionais até o fim do vínculo previsto.
De acordo com informações divulgadas pelo jornal “La Repubblica”, a contestação foi enviada por meio de e-mail certificado na véspera da apresentação da temporada 2026/27 da instituição.
No documento, os advogados da regente afirmam que a rescisão anunciada em 26 de abril pelo superintendente Nicola Colabianchi não teria apresentado justificativas claras nem especificado as declarações que motivaram a decisão.
A italiana sustenta que o contrato de colaboração teria validade entre outubro de 2026 e março de 2030 e reforça sua intenção de seguir à disposição da instituição para atividades artísticas e organizacionais. A defesa também acusa a direção do teatro de criar obstáculos à execução do trabalho previsto em contrato.
“Venezi confirma que — em cumprimento do compromisso contratual — pretende continuar a disponibilizar as suas energias e serviços artísticos profissionais à Fundação e a desempenhar todas as atividades profissionais, organizacionais e de produção preliminares e essenciais à relação laboral firmada entre as partes, apesar dos inúmeros entraves implementados até à data pela direção para limitar e impedir a prestação destes serviços”, enfatizou.
A demissão de Venezi, que foi indicada ao cargo em 2025, ocorreu após meses de tensão interna na orquestra e na equipe do teatro, que haviam levantado críticas sobre sua nomeação. Parte das alegações envolvia suposto favorecimento político devido a conexões com a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, além de protestos de músicos da própria instituição.
Venezi foi acusada pelos músicos italianos de nepotismo em entrevista ao jornal argentino La Nación, quando afirmou que os cargos na orquestra veneziana eram passados sobretudo de pai para filho.
A pianista, 36 anos, é filha de um militante de extrema direita e foi elogiada por Meloni em diversas ocasiões, recebendo também um prêmio de seu partido, o Irmãos da Itália (FdI). Desde 2022, é conselheira musical do ministério da Cultura.
Atual diretora convidada do Teatro Colón, em Buenos Aires, ela nunca regeu uma grande orquestra de ópera, e críticos diziam que seu currículo era muito limitado para comandar La Fenice, um dos teatros mais famosos do mundo.
Em sua manifestação, a defesa da regente reforça que pretende adotar todas as medidas legais cabíveis para proteger seus direitos e interesses, caso a decisão não seja revista.




