O governo da Itália detalhou a cronologia dos procedimentos que levaram ao reconhecimento da cidadania por direito de sangue ao senador Flávio Bolsonaro e a seus irmãos Carlos e Eduardo.
O posicionamento chega após um questionamento parlamentar apresentado pelo deputado de esquerda Angelo Bonelli, na esteira da fuga de Flávio para os Estados Unidos após sua derrota para Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 2026.
Em sessão da Câmara dos Deputados, a subsecretária para Relações com o Parlamento da gestão de Giorgia Meloni, Matilde Siracusano, assegurou que o reconhecimento da cidadania italiana dos três filhos de Jair Bolsonaro ocorreu “em conformidade com os procedimentos estabelecidos por lei”.
Segundo ela, Eduardo protocolou o pedido de inclusão na lista de espera ao escritório consular da Embaixada da Itália em Brasília em 22 de dezembro de 2020, e Carlos e Flávio, em 26 de outubro de 2021. Na ocasião, os três apresentaram documentos que comprovavam residência em Brasília, embora Carlos fosse vereador no município do Rio de Janeiro.
“Em 20 de outubro de 2021, aproximadamente um ano após ser incluído na lista de espera, Eduardo contatou o escritório consular da embaixada para solicitar atualizações sobre o andamento de seu pedido”, acrescentou Siracusano.
Os três foram convocados ao mesmo tempo, em 8 de novembro de 2022, para apresentar suas solicitações de reconhecimento e tiveram a cidadania italiana confirmada em 5 de janeiro de 2023.
“A documentação apresentada estava completa e em conformidade com as disposições vigentes à época”, explicou a subsecretária.
Ela ainda detalhou que o passaporte de Flávio foi emitido em 8 de novembro de 2023, o de Eduardo, em 3 de abril de 2024, e o de Carlos, em 14 de junho de 2024. Segundo Siracusano, “no momento da emissão dos passaportes, a Embaixada da Itália em Brasília não tinha conhecimento de nenhum processo judicial pendente contra os três irmãos”.
“É oportuno lembrar que o reconhecimento da cidadania italiana por direito de sangue não prevê uma avaliação discricionária por parte da administração: cabe ao responsável pelo procedimento simplesmente verificar se o requerente preenche os requisitos estabelecidos pela legislação vigente”, disse.
Flávio, Carlos e Eduardo iniciaram os processos antes da reforma nas regras de cidadania promovida pelo vice-premiê e ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, em março de 2025. Desde então, apenas quem tem um dos pais ou um dos avós nascido na Itália e exclusivamente italiano pode obter o reconhecimento.
Os irmãos Bolsonaro e seu pai são descendentes de imigrantes do Vêneto e da Toscana.




