Três anos após a morte de Silvio Berlusconi, a família do fundador da Fininvest concluiu uma das maiores transações imobiliárias da história da Itália. A lendária Villa Certosa, em Porto Rotondo, na Sardenha, foi vendida por cerca de 350 milhões de euros (R$ 2,1 bilhões) à dinastia Al Thani, família real que governa o Catar há mais de 150 anos. A informação foi confirmada pela Immobiliare Idra, empresa do grupo Fininvest responsável pela propriedade.
A venda encerra uma longa novela iniciada logo após a morte de Berlusconi, em 12 de junho de 2023. Na época, os herdeiros colocaram a propriedade no mercado com um valor de referência próximo dos 500 milhões de euros. Ao longo dos últimos três anos, surgiram rumores envolvendo bilionários árabes, o sultão de Brunei, fundos internacionais e grandes grupos hoteleiros de luxo. Nenhuma negociação, porém, chegou ao estágio final até a entrada em cena dos Al Thani.
O comprador é ligado ao braço imobiliário internacional da família do Catar, por meio da Constellation Hotels Holding, sediada em Luxemburgo e associada ao influente xeque Hamad bin Jassim Al Thani. A família já possui investimentos estratégicos na Sardenha, incluindo participações na Costa Smeralda e no hospital Mater Olbia, reforçando sua presença na região.
Muito mais que uma residência, Villa Certosa tornou-se símbolo do poder político e econômico de Berlusconi. Foi ali que ele recebeu líderes mundiais como Vladimir Putin, Tony Blair e José Luis Rodríguez Zapatero. Em 2004, a propriedade chegou a ser classificada pelo governo italiano como residência alternativa de alta segurança do primeiro-ministro.
Os números impressionam. A propriedade ocupa cerca de 120 hectares voltados para o Golfo de Marinella e reúne 126 cômodos, sete piscinas externas, spa, heliporto, campo de futebol, campo de golfe, lagos artificiais, áreas de talassoterapia, residências para hóspedes, bunker subterrâneo e até um vulcão cenográfico criado durante as ampliações promovidas por Berlusconi.
Embora o valor final tenha ficado bem abaixo dos 500 milhões inicialmente pretendidos pelos herdeiros, os cerca de 350 milhões pagos pelos Al Thani colocam a operação entre as mais relevantes já realizadas no mercado imobiliário europeu de luxo. Mais do que uma simples compra, o negócio representa o encerramento definitivo de um dos capítulos mais emblemáticos da história pessoal e política de Berlusconi.




