
“Dia 27 de abril vão fazer 60 anos que cheguei ao Brasil. Antes a presença de italianos era bem maior. Hoje, o cenário mudou, mas me dou muito bem com meus vizinhos”, garante o italiano Antonio Cammarosano, 83 anos, que veio da região da Sardenha.
Sabrina Hair, 30, é de Recife. Chegou no Bixiga há quatro anos. “Gosto muito do senhor Antonio. Ele é gente boa demais”, fala o travesti. A mesma opinião tem Fátima Inácio Baia, 43, cearense de Mombaça. Ela está na capital há 24 anos. “Sempre me dei bem com os italianos. Essa diversidade para mim é tudo”, fala.
Há cinco anos, Cammarosano emprega e dá moradia ao baiano João de Freitas Duarte. “Ele é um ótimo patrão. É quase como se fosse um pai.”
Cultura
Na década de 1920, metade da população paulistana havia nascido na Itália ou tinha pais italianos. Hoje, quase 100 anos depois, os italianos em todo estado não passam de 1% (400 mil), de um universo de quase 40 milhões de habitantes. Os descendentes, na 4 geração, são estimados em cerca de três milhões na capital e 15 milhões no estado. Porém, eles guardam pouco da cultura de seus antepassados.
“O Bixiga perdeu completamente a característica de ser um bairro italiano. Os que restaram foram apenas algumas cantinas e a festa da Achiropita”, disse o doutor em história da imigração italiana no Brasil Fernando Hecker.
Segundo ele, a mudança faz parte da ação dos anos. “Vai ocorrendo uma adaptação, uma mistura das ondas imigratórias, além da presença de outras comunidades estrangeiras e nacionais”, disse. Por Eduardo Athayde – para o jornal "Diário"




